Ciência: qualidade de vida de pessoas com Parkinson melhora com estimulação transcraniana

01 de setembro de 2021

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus de Rio Claro observou que a estimulação transcraniana (tDCS) trouxe benefícios diretos para pacientes com Parkinson. Realizado durante sessões de exercícios aeróbicos, o estudo mostrou que o estímulo combinado ao esforço não só potencializa os benefícios dos exercícios como, imediatamente após as sessões, trouxe melhoras diretas na forma dos pacientes andarem e controlarem seu andar.

Publicado na revista científica Neurorehabilitation & Neural Repair, o estudo foi realizado com 20 pacientes divididos entre grupos ativos e placebo, em duas sessões com intervalo de uma semana entre cada uma. A estimulação craniana foi realizada por dois eletrodos posicionados em pontos específicos do crânio e fixados sobre o couro cabeludo oferecendo uma corrente muito baixa, de 2 miliampere, porém eficaz para estimular os neurônios

As funções cognitivas e as atividades cerebrais dos pacientes foram monitoradas antes e depois das sessões, quando foram realizadas análises de desenvolvimento espaço-temporal, assim como comprimento dos passos, quantidade e velocidade da marcha foram estudados para determinar os possíveis efeitos. De acordo com os resultados publicados, foram observadas melhoras na variabilidade da marcha, no controle executivo do andar e no tempo de reação dos pacientes – a degeneração do sistema nervoso provocada pela Doença de Parkinson leva, além dos tremores propriamente, a uma perda do controle motor.

“Em comparação com a pré-avaliação, os participantes diminuíram a variabilidade do tempo do passo, reduziram o tempo de reação simples e de escolha, além de aumentarem a atividade na área do cérebro estimulada durante a caminhada após o exercício aeróbico combinado à tDCS ativa”, diz o texto. O uso da estimulação aliada aos benefícios já comprovados dos exercícios físicos sobre os efeitos da doença provocou um aumento na atividade do córtex pré-frontal do cérebro, área que justamente é mais utilizada por pacientes com Parkinson para controlar o caminhar: diante das limitações impostas pela doença, tais melhoras podem melhorar diretamente a autonomia e qualidade de vida de tal população.

Fonte: Hypeness