Jovem é curada de lúpus após terapia imunogenética experimental

20 de setembro de 2021

Uma jovem, diagnosticada com lúpus eritematoso sistêmico (LES) recebeu, em março de 2021, uma terapia imunogenética experimental como último recurso de seu tratamento. Seis meses depois, a jovem de 20 anos chamada Thu-Thao V está completamente curada dos sintomas, sem sinais de reincidência da doença.

Thu-Thao V tinha ainda 16 anos quando teve os primeiros sintomas do lúpus. A doença, assim como a artrite e a esclerose, por exemplo, é autoimune. Ou seja, uma disfunção no sistema imune faz com que as células de defesa do corpo ataquem os próprios tecidos do paciente.

No caso do LES, os linfócitos B passam a produzir anticorpos contra as células do coração, rins e da pele, principalmente. A doença impedia Thu-Thao V, por exemplo, de praticar atividades físicas, devido a dores nas juntas e palpitações. Em muitos casos, aliás, o lúpus pode ser fatal.

Assim, médicos da Universidade-Hospital Erlangen resolveram tentar uma terapia imunogenética experimental, usada para alguns tipos de câncer, para combater o LES de Thu-Thao V. Vale ressaltar, ademais, que todos os tratamentos tradicionais para o lúpus haviam falhado no caso da jovem, como a hidroxicloroquina, esteroides e mesmo outra terapia imunogenética baseada nas células B.

Agora, após seis meses desde a aplicação do tratamento, a jovem pode praticar esportes, dormir melhor e teve uma diminuição significativa das palpitações e retenção de líquidos. De acordo com os médicos, Thu-Thao V não apresenta nenhum sinal de reincidência da doença.

Como funciona a terapia imunogenética experimental
A terapia imunogenética usada no caso de Thu-Thao V, originalmente, tem sido usada para combater tipos agressivos de câncer, como leucemias e linfomas. O Receptor Quimérico de Antígeno de células T (do inglês, chimeric antigen receptor T-cell ou CAR T cell) se baseia em modificar geneticamente as células T de um paciente.

Ou seja, os médicos coletaram as células T (também parte do sistema imune) da jovem, e as editaram geneticamente no laboratório. Essa edição tem por objetivo fazer com que estas células passem a destruir ou inativar um alvo específico no corpo.

Como Thu-Thao V tinha um tipo de célula B que estava causando o lúpus, os pesquisadores programaram as células T para atacar as parentes disfuncionais. Assim, as células B com anticorpos autoimunes passavam por uma inativação pelas células T geneticamente modificadas.

Evidentemente, o processo todo parece mais fácil do que realmente foi. Mesmo os médicos afirmam, em uma declaração, que a aplicação da técnica foi um último recurso, já que nada mais havia funcionado.

Com os resultados impressionantes obtidos, por conseguinte, a equipe de médicos e pesquisadores agora busca iniciar testes clínicos para o tratamento em pessoas com lúpus sistêmico. Essa doença, aliás, atinge principalmente mulheres jovens e é considerada pouco incidente na população, com uma média de 50 casos a cada 100.000 pessoas no planeta.

Mesmo com a baixa incidência, contudo, os médicos de Thu-Thao V afirmam que novas terapias são essenciais para a doença, que pode causar problemas significativos na qualidade de vida e na saúde de um paciente.

O estudo de caso está disponível no periódico The New England Journal of Medicine.

Fonte: SoCientífica