Sonata de Mozart é usada no tratamento de epilepsia grave

24 de setembro de 2021

Cientistas descobriram que ouvir Mozart, um dos gênios da história da música, pode ajudar no tratamento de epilepsia que não é resolvida com remédios.

O estudo publicado na revista Scientific Reports demonstrou que a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, K.448, de Wolfgang Amadeus Mozart, ajudou no tratamento da epilepsia refratária, que acomete 30 por cento da população mundial.

As meta-análises apoiam a musicoterapia como uma intervenção complementar para a epilepsia e mostram que a música de Mozart pode diminuir as convulsões.

Antes, a ciência já havia provado que a mesma Sonata teve sucesso no tratamento amplo da doença, conforme divulgamos aqui no SóNotíciaBoa.

Primeiros estudos

Em 1993, os pesquisadores americanos Gordon Shaw e Frances Rauscher demonstraram que essa música, em particular, melhorava o desempenho de crianças em tarefas envolvendo raciocínio espacial e temporal.

O neurologista John Hughes notou que pessoas com a chamada epilepsia refratária, quando ouviam a sonata, apresentavam redução da atividade de impulsos epiléticos.

Um outro estudo, publicado na Revista Science, foi feito pelos italianos Dr. Gianluca Sesso e Dr. Federico Sicca, da Universidade de Pisa.

Epilepsia incurável

Mesmo com a informação sobre o potencial terapêutico de Mozart, ainda restavam questões: essa é a única música capaz de ajudar no tratamento de pessoas com epilepsia refratária? E por que?

Pensando nisso, pesquisadores da Dartmouth College, nos EUA, resolveram investigar. Eles separaram 16 pessoas que viviam com o problema e as monitoraram com auxílio de implantes cerebrais.

O objetivo era mapear as descargas epileptiformes interictais (DEI), que ocorrem entre crises.

Experiência

Os voluntários foram divididos em dois grupos: o primeiro escutou a K. 448 por 15 segundos, enquanto o segundo ouviu a música por um minuto e meio.

De acordo com o estudo, os resultados foram mais expressivos naqueles que ficaram expostos à sonata por mais tempo. Esses apresentaram diminuição significativa das descargas epileptiformes, além de mostrar efeitos expressivos em partes do cérebro associadas à emoção.

A explicação pode estar na estrutura da música.

Os cientistas observaram que os efeitos aumentavam durante transições de segmentos musicais longos, que duravam 10 segundos ou mais. É como se você estivesse entretido naquele som e, de repente, ele mudasse.

Essa surpresa causada pelos tons melódicos contrastantes seria a responsável pela resposta emocional positiva e consequente queda das DEIs.

Os pesquisadores também apresentaram aos participantes músicas das quais eles gostavam, buscando entender se a afeição pela melodia poderia ter alguma influência no comportamento cerebral, mas isso não gerou nenhum efeito.

A partir de agora, os cientistas pretendem trabalhar na composição de músicas que espelham a estrutura da sonata de Mozart, criando composições “anti-epiléticas”, que poderiam ser utilizadas no tratamento daqueles que vivem com epilepsia refratária.

Com informações da Superinteressante

Fonte: Só notícia boa