Bafômetro anti-covid pode permitir triagem em massa em locais públicos

03 de fevereiro de 2022

Um bafômetro portátil criado por pesquisadores da Sociedade Americana de Química promete ser um grande aliado para que o mundo abrevie o fim da pandemia. Isso porque, entre especialistas, o consenso é de que a triagem rápida e em massa de pessoas, que identifica e isola os infectados e assim diminui a circulação do vírus, é um dos caminhos mais assertivos para enfraquecer o estado de emergência sanitária que o mundo vive há mais de dois anos.

Para atingir esse objetivo, o grupo de pesquisadores empregaram esforços para desenvolver um protótipo de bafômetro que pode diagnosticar, com sensibilidade e precisão, a covid-19 — mesmo em assintomáticos — em apenas cinco minutos. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (2/2) na revista científica ACS Nano, pertencente à Sociedade Americana de Química.

A tecnologia desenvolvida pelo grupo promete oferecer a segurança de um teste “padrão ouro” de detecção, que hoje é reconhecido apenas na técnica denominada reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa (RT-PCR), que, apesar da precisão, é lenta e requer um procedimento invasivo e desconfortável, onde uma espécie de cotonete é usado para coletar material entre o nariz e a faringe.

O desafio dos cientistas era, além de obter uma taxa de precisão confiável, também criar uma maneira de recolher a amostra que fosse conveniente e adequada para locais públicos. Para isso, eles projetaram um bafômetro portátil, equipado com um chip composto por três sensores de espectro Raman — uma técnica que proporciona em poucos segundos informação química e estrutural que quase qualquer material — ligados a nanocubos de prata.

Ao fazer o teste, a pessoa sopra durante 10 segundos no dispositivo e os compostos presentes na respiração dela interagem com os sensores. Em seguida, os pesquisadores submetem o bafômetro ao espectrômetro Raman, que também é portátil, e, em cinco minutos, observa os compostos presentes na pessoa, com base em uma mudança nas vibrações moleculares dos sensores.

Os cientistas descobriram que os resultados dos espectros de pessoas positivas e negativas para a covid-19 eram diferentes, principalmente em regiões relacionadas aos elementos cetonas, álcools e aldeidos. Assim, o bafômetro pode apontar quem estava com a doença ou está negativado

O aparelho foi testado em 501 pessoas em hospitais e aeroportos de Cingapura. Para a comparação, os participantes foram submetidos, também, ao teste RT-PCR. O resultado foi de uma surpreendente eficácia e confiabilidade: o método teve uma taxa de 3,8% de falso negativo e apenas 0,1% de falso-positivo, que se assemelha bastante ao teste padrão ouro, mas que apresenta o resultado em menos de cinco minutos.

“O bafômetro pode, um dia, ser uma nova ferramenta para reduzir a propagação silenciosa do COVID-19 nas comunidades”, afirma Xing Yi Ling, um dos autores do projeto.

Fonte: Correio Braziliense