Maconha pode danificar memória mesmo após ‘brisa’ passar, diz estudo

04 de fevereiro de 2022

Realizado por cientistas da Universidade de Montreal, no Canadá, um novo estudo sugere que os impactos do uso da maconha sobre a memória e as capacidades cognitivas podem causar prejuízos mesmo passado o período inicial de intoxicação.O trabalho foi publicado no periódico científico Addiction, realizado em processo de revisão sistêmica, que avalia em alta rigor os resultados e métodos de pesquisas anteriores, em busca de resultados diversos e abrangentes. Ao todo, o estudo se desdobra sobre avaliações de mais de 43 mil participantes, e se refere ao uso da maconha enquanto droga recreativa em seus formatos mais comuns de consumo, sem incluir qualquer uso de medicamentos a partir da planta, nem de outros derivados.O trabalho avaliou o impacto do uso continuado de maconha sobre algumas das principais funções cognitivas de execução, como memória, aprendizado, atenção, velocidade de processamento, uso de língua, função motora perceptiva, e mais: de acordo com a pesquisa, os prejuízos mais agudos apontados imediatamente após a intoxicação também apresentam efeitos persistentes. “Nosso estudo nos permitiu destacar diversas áreas da cognição prejudicadas pelo uso da maconha, incluindo problemas de concentração e dificuldades de memória e aprendizado, que podem gerar impactos consideráveis no dia a dia dos usuários”, afirmou o cientista Alexandre Dumais, coautor e líder do estudo.Os maiores efeitos persistentes notados foram sobre o aprendizado verbal e a memória, em prejuízo consistente mesmo passado os momentos do uso. Em atividades ligadas às funções motoras simples, à tomada de decisões e à memória de trabalho, que envolve a utilização de informações durante tarefas, o impacto foi considerado pequeno e moderado, e sobre a flexibilidade cognitiva e velocidade de processamento de estímulos, as consequências foram avaliadas como pequenas.O estudo não encontrou qualquer impacto significativo e persistente do uso da maconha sobre a linguagem.“O uso da maconha por jovens pode, consequentemente, levar a uma menor retenção educacional, e, em adultos, a resultados ruins no trabalho e perigos ao dirigir. Essas consequências podem ser piores em usuários regulares e intensivos”, afirmou Dumais, lembrando que o estudo confirma um prejuízo mais significativo sobre jovens e adolescentes, cujo cérebro se encontra em processo de desenvolvimento. A pesquisa sugere diferenças na intensidade do impacto, relacionadas à frequência do uso, e não afirma, no entanto, que tais prejuízos sejam permanentes, indicando que períodos de abstinência podem reduzir ou mesmo anular os efeitos na maioria dos casos.Fonte: Hypeness