Mulher trans faz denúncia após recusa de matrícula em academia

08 de junho de 2022

Após ter matrícula recusada em academia só para mulheres na cidade de Juazeiro do Norte (CE), a funcionária pública e ativista da causa LGBTQIA+, Jhully Carla de Sousa denunciou a empresa. A recusa teria acontecido pelo fato dela ser uma mulher trans.

Ao portal g1, Jhully revelou que apresentou na hora da matrícula o documento de identidade atualizado e retificado há cerca de um ano. Ela foi recebida no local por uma amiga, que trabalha no estabelecimento como recepcionista, no entanto, informou que o gerente precisava ser alertado.

Quando a amiga da vítima retornou, ela afirmou estar “arrasada”, mas não poderia fazer a matrícula de Jhully, além disso, o gerente do estabelecimento teria chegado a perguntar qual era o órgão genital de Jhully.

“Você chegar (em) um local e ser excluída de lá por causa da genitália. Como se eu fosse dar bom dia mostrando meu órgão”. contou ela ao g1.

Após a recusa da matrícula, Jhully chegou a advertir a amiga sobre o caso, apontando a existência de uma lei no estado contra a discriminação por identidade de gênero e orientação sexual.

Ela também decidiu entrar em contato com a filha do gerente para relatar o assunto e, após saber que o caso foi levado à polícia, a mulher confirmou que Jhully seria bem-vinda no local, no entanto, a mulher não aceitou a proposta: “Se eu já fui constrangida fazendo a matrícula, imagina se eu estivesse lá dentro?”, indagou ela. Além disso, ela revelou que só decidiu se pronunciar, porque se não falasse, poderia acontecer com outras pessoas.

A funcionária pública contou ainda que já sabia de um outro caso de descriminação no local, no qual uma amiga teria sido permitida na academia, no entanto, foi tratada com o pronome masculino por um profissional que trabalhava na unidade.

O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Juazeiro do Norte.

Repercussão do caso
Nas redes sociais, o advogado da academia Sport Lif, Regnobertho Costa, publicou o posicionamento sobre o caso. A nota afirma que a empresa “repudia veementemente toda e qualquer violência transfóbica”.

O texto afirma ainda que a academia “incentiva a construção de espaços que respeitem e reconheçam as pessoas em sua integralidade e informa que o que ocorreu nada mais foi do que um mal entendido”.

Segundo o posicionamento, as imagens reforçam que Jhully não foi impedida de entrar e que não foi impedida de fazer a matrícula pelo proprietário, porque foi atendida por uma recepcionista e não pelo próprio proprietário.

Fonte: Correio Braziliense