“Fatalidade anunciada”, diz primo de operário morto em cisterna em Águas Claras

30 de setembro de 2022

Wanderson Soares da Silva, morto aos 22 anos durante acidente de trabalho na cisterna do Residencial Santorini, na Quadra 208, em Águas Claras, nessa quarta-feira (28/9), trabalhava com paisagismo na empresa Império Garden. Segundo o pai da vítima, Carlos Antônio da Silva, ele e a outra vítima, Gutemberg José de Santana, 53 , tinham sido contratados para instalar uma nova bomba em uma dos poços do prédio. Os dois chegaram a ser socorridos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) em parada cardiorrespiratória, mas não resistiram.“A empresa que o meu filho trabalhava ia fazer apenas a instalação de uma nova bomba. Nós não sabemos nem a dinâmica certa, ninguém do condomínio nos informa. Nem sabíamos que ele viria. Só fomos informados quando ele já havia desmaiado”, conta Carlos.De acordo com o pai de Wanderson, ele trabalhava na empresa de uma prima e ajudava nos serviços de paisagismo. Porém, o jovem não tinha experiência em limpeza de cisterna e instalação de bomba no local.Gutemberg José também fazia serviços para Império Garden e ajudava Wanderson na execução do serviço no condomínio. “Foi uma fatalidade anunciada. A única resposta que nos deram é que amanhã (quinta) temos que dar prosseguimento ao enterro do nosso ente querido”, lamentou Rafael Santana, primo de Gutemberg. O homem relata que procurou entender o que ocasionou o acidente e se havia algum supervisor acompanhando o trabalho deles, mas que ninguém do condomínio soube informar.“Ninguém tinha equipamento de proteção, foi uma tragédia. Agora, a minha família vai ter que arcar com o sofrimento. Esperamos um posicionamento dos envolvidos. Eles não vão voltar”, ressaltou Rafael.Emissão de gás
De acordo com o CBMDF, os operários que trabalhavam dentro cisterna utilizavam um motor movido à combustão. Em contrapartida, nenhum deles utilizava equipamento de proteção individual (EPI). “Este motor funciona à queima combustível e acaba exalando gases que podem intoxicar pessoas. Não se tem, ainda, a informação de que isso seja a causa da inconsciência deles, até eles submergirem na água. Quem dirá isso é a perícia, mas a informação é relevante”, disse o tenente Marcelo de Abreu, do Corpo de Bombeiros do DF.Ao todo, cinco pessoas trabalhavam no local, que tinha 7 metros de profundidade. Dentro, a água chegava a 1,20m de altura. Das três vítimas em parada cardiorrespiratória, uma foi transportada de helicóptero para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).Questionados sobre o que poderia ter provocado a inconsciência dos operários, os bombeiros, por meio da assessoria de comunicação do CBMDF, disseram que “ambientes como este, que acabam acumulando material orgânico, com o passar do tempo passam a emitir gases que podem intoxicar pessoas”. Esta é outra hipótese para a perda de consciência dos operários.Empresas envolvidas
Conforme apurou o Metrópoles, haviam três empresas envolvidas no serviço da troca de bomba na cisterna. A HL2 Engenharia teria contratado duas empresas terceirizadas, Grupo K2 Serviços e Império Garden, para execução das tarefas.A K2 era responsável pela limpeza do poço e retirada da bomba antiga. Já a Império Garden realizaria a instalação do novo equipamento no poço.Conforme informações dos bombeiros, das pessoas envolvidas no acidente, duas eram da Império Garden, uma da K2, uma da HL2 Engenharia e um morador do edifício.A reportagem tentou contato com as três empresas envolvidas no acidente, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.Quer ficar ligado em tudo o que rola no quadradinho? Siga o perfil do Metrópoles DF no InstagramReceba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente.Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre o Distrito Federal por meio do WhatsApp do Metrópoles DF: (61) 9119-8884.Fonte: Metrópoles