Estudo da USP descobre que covid-19 pode ser detectada em exame de lágrimas

21 de fevereiro de 2023

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) encontrou na coleta de lágrimas uma possível alternativa para os atuais testes para detecção do vírus da covid-19, realizados através do exame de secreções nasais ou orais. O método também utliza swabs, hastes flexíveis com pontas de algodão, para coletar a secreção ocular e realizar os exames. A intenção da pesquisa era justamente encontrar uma opção menos invasiva para os incômodos processos pela boca ou pelo nariz, sem perder a eficácia no diagnóstico.“O swab nasal, além de provocar desconforto, nem sempre é usado da maneira correta. Para pessoas com desvio de septo nasal, por exemplo, pode ser um problema. Achávamos que a lágrima seria mais fácil de executar, mais tolerável. Conseguimos mostrar que é um caminho”, afirmou, em entrevista para a agência FAPESP, o professor Luiz Fernando Manzoni, da USP, e autor correspondente do artigo, publicado na revista Journal of Clinical Medicine. O resultado também aponta a importância do uso de proteção ocular para os profissionais de saúde, já que, mesmo que baixo, aponta o risco de contaminação através das lágrimas.De acordo com o texto, a probabilidade de detecção do vírus é maior através da amostra lacrimal em pacientes com maior carga viral. As lágrimas foram coletadas por dois métodos, através dos swabs, e também com as tiras de Schirmer, utilizadas para avaliar a quantidade de produção da secreção nos olhos. “Uma limitação nesse estudo é que não sabemos se a quantidade de lágrima coletada influencia na positividade ou não”, afirmou Manzoni. Os exames foram realizados entre julho e novembro de 2021, quando as variantes que mais circulavam em São Paulo eram a Delta e a Gama.Registro da coleta da secreção ocular para o exame utilizando a swab, haste flexível com ponta de algodão
Registro da coleta da secreção ocular para o exame utilizando a swab, haste com ponta de algodãoTrabalhando com 61 pacientes internados, a pesquisa analisou amostras oculares de 33 pessoas com diagnóstico de covid-19 por outros métodos, e 14 pacientes sem o vírus. O vírus SARS-CoV-2 foi encontrado em 18,2% das amostras coletadas pelas hastes, e 12,1% das obtidas através das tiras. Nenhum dos pacientes que não tiveram o vírus detectado através dos métodos tradicionais como o swab nasal deu resultado positivo no exame lacrimal. “Existem outros vírus ainda pouco estudados no Brasil. Pretendemos nos dedicar a encontrar soluções e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Vamos analisar também outras condições virais que se tornam sistêmicas”, afirmou o professor.Fonte: Hypeness