Pesquisa explica por que as pessoas engordam de novo após emagrecer

27 de junho de 2023

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Amsterdã (UMC), na Holanda, afirmam ter descoberto por que a maioria das pessoas recupera o peso perdido logo após uma dieta bem-sucedida para emagrecer.A dopamina está por trás do reganho de peso, segundo mostra a pesquisa publicada, nesta segunda-feira (12/6), na revista Nature Metabolism. O neurotransmissor está envolvido nos sentimentos gratificantes relacionados à ingestão de alimentos.Os autores do estudo explicam que sensação de saciedade relacionada à alimentação depende de uma integração entre sinais metabólicos e neuronais – ou seja, cérebro, intestino e transporte de nutrientes no sangue estão envolvidos nesse processo. Essa rede desencadeia sensações de fome e saciedade, regula a ingestão de alimentos e a motivação para buscar comida.De acordo com os pesquisadores, as respostas cerebrais diminuem em pessoas com obesidade – a rede não consegue ativar o mecanismo de saciedade. E mesmo após a perda de peso, é difícil recuperar o funcionamento normal, o que pode afetar o comportamento alimentar.Pesquisa estudou dopamina
O estudo contou com 60 voluntários adultos– 30 pessoas com peso corporal considerado saudável e 30 com obesidade. Eles receberam infusões no estômago de carboidrato, gordura e água e tiveram as atividades cerebrais e a quantidade de dopamina medidas durante o experimento.Os indivíduos com obesidade liberaram menos dopamina em uma área do cérebro importante para a motivação voltada à ingestão de alimentos em comparação com pessoas com peso corporal saudável. Elas também demonstraram uma resposta menor na atividade cerebral.Os pesquisadores apontaram que, mesmo aqueles que perderam de 10% do peso corporal após uma dieta de 12 semanas, não conseguiram restaurar as respostas cerebrais aos patamares considerados normais.“No geral, essas descobertas sugerem que a detecção de nutrientes no estômago e intestino e/ou de sinais nutricionais é reduzida na obesidade e isso pode ter consequências profundas para a ingestão de alimentos”, afirma a professora de endocrinologia da UMC Mireille Serlie, principal autora do estudo.Fonte: Metrópoles