Estagiários de direito usam documento falso para aplicar golpes no DF

31 de março de 2025

Dois estagiários do curso de direito foram presos por estelionato, uso de documento falso, associação criminosa e lavagem de dinheiro, durante uma operação da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), na manhã desta segunda-feira (31/3).

A Operação Scammers contou com o apoio do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio da Secretaria de Segurança e Inteligência da Corte.

Veja imagens da operação:

As apurações revelaram que os dois universitários ajuizaram centenas de ações cíveis de cobrança e repetição de indébito – devolução de valores cobrados indevidamente – no âmbito de juizados especiais, em desfavor de grandes conglomerados econômicos e a partir do uso de documentos falsos.

Processos com base em falsas cobranças

Os investigados protocolavam as ações em nome próprio – a partir de um permissivo legal que admite que, em causas com valores de até 20 salários-mínimos (R$ 30.360), a assistência de advogado é facultativa –, com a juntada de cobranças supostamente feitas pelas empresas contra eles.

Os universitários também relataram que, para não terem o nome negativado, tiveram de efetuar o pagamento das cobranças indevidas com comprovantes falsos ou confirmar que o fizeram. Em um dos casos, uma mesma empresa foi demandada judicialmente mais 20 vezes, com objetos idênticos das ações.

Após aberto o prazo judicial para que as empresas contestassem o processo, a suposta cobrança não era contestada ou, muitas vezes, o jurídico das empresas faziam acordos, homologados judicialmente com os universitários, devido à aparência de legalidade dos boletos. As medidas resultaram em sentenças de indenização favoráveis aos presos, as quais passaram de R$ 200 mil durante o período investigado.

Boletos e comprovantes falsos

Durante as investigações, os policiais civis identificaram que os boletos com as cobranças que os criminosos usavam para alegar o suposto direito de receber os valores indevidos eram falsos e que eles nunca chegaram a efetuar o pagamento de qualquer valor, ao contrário do que afirmavam à Justiça.

Também ficou constatado que, devido à quantidade de ações protocoladas por eles, os universitários passaram a contar com o apoio de parentes e outras pessoas próximas, as quais, com uso dos mesmos documentos falsos, passaram a demandar as mesmas empresas judicialmente.

Em outros casos, os autores também ingressaram com ações judiciais patrocinados por advogados, razão pela qual, a investigação tem por objetivo verificar se os advogados tinham conhecimento da fraude, bem a participação de cada um deles no esquema criminoso.

FONTES: METRÓPOLES