Uma confusão na porta de uma clínica veterinária de Águas Lindas de Goiás virou caso de polícia, depois que uma cadela de 3 anos, da raça shi tzu, morrer após passar um dia internada. As tutoras alegam negligência, já a veterinária responsável nega as acusações. O caso foi registrado na tarde de domingo (25/1).
Veja as imagens:
A briga
Nas imagens (veja acima), é possível ver um caos generalizado. As tutoras chegam ao local e são impedidas pela veterinária de entrar na clínica. Elas querem ver a cachorrinha, que estava internada no local. A médica baixa a porta do estabelecimento, o que causa revolta nas mulheres.
A veterinária tenta entrar no carro, quando é impedida pelo grupo, que, aos gritos, dizem que não sabem nem se a cadela está viva. “Eu entrei para deixar a minha cachorra, eu vou entrar para pegar ela. Para deixar meu dinheiro aí dentro você deixou”, disse a tutora.
Toda a confusão foi filmada. As gritam, xingam a profissional e chamam ela de “assassina de cachorro”. Três mulheres se mobilizam para impedir que a profissional dê partida no carro e vá embora. Até uma criança aparece nas imagens, assustada com a situação. A justificativa para não ter feito a devolução do animal seria porque a clínica estava fechada naquele domingo, de acordo com a veterinária.
É nesse momento que as mulheres se penduram no veículo e, mesmo assim, a veterinária arranca com o carro. Uma senhora é filmada em cima do capô do veículo, enquanto a veterinária dirige pelas ruas da cidade. “Vamos ver onde você vai parar. Vamos ver se você vai me jogar em cima do outro carro”, diz a mulher, que se segura para não cair de cima do carro em movimento.
A filmagem é feita por outra tutora, que estava pendurada na porta do veículo.
Negligência
O animal foi levado até a clínica no sábado (24/1), apresentando tremores, olhos avermelhados e salivação excessiva, segundo o Boletim de Ocorrência registrado pelas tutoras. De acordo com elas, a profissional informou que a cadela precisaria ficar internada durante um período de 4 dias para tratamento de uma forte infecção, do contrário poderia vir a óbito. Com o pagamento feito, elas permitiram que a cachorrinha ficasse sob os cuidados da médica especializada.
Mais tarde, naquele dia, uma das tutoras decidiu ir buscar a shi tzu depois de ver algumas avaliações negativas da clínica. Em algumas delas, donos acusavam a proprietária de pensar apenas no lucro e não tratar os animais de forma ética e correta. Todas as críticas foram respondidas pela médica.
Depois do ocorrido, nessa terça-feira (27/1), as tutoras da cachorrinha foram até a delegacia de Águas Lindas e registraram o BO. Uma alega ter se machucado quando caiu do veículo em movimento. A polícia esteve na clínica e constatou a morte do animal.
Outro lado
Em conversa por telefone a veterinária relatou ao Metrópoles que não foi negligente e fez tudo o que estava em seu alcance para salvar a vida da cadela, que, segundo ela, estava com sinais de maus-tratos. Além disso, segundo a médica, a necropsia foi feita e paga pela própria clínica, o que, de acordo com ela, contradiz a acusação de negligência. Ela também registrou Boletim de Ocorrência por lesão corporal contra as tutoras da shi tzu.
O Metrópoles optou por não identificar a clínica e nem as pessoas envolvidas, porque a investigação ainda está em fase inicial, sem indiciados.
Após a publicação desta reportagem, a defesa da veterinária se pronunciou por meio de nota oficial. Segundo o documento, assinado pelas advogadas Thalyta Raifa Hendure dos Anjos Leite e Isabella Spíndola Gomes, “o animal foi recebido em estado crítico no último sábado, às 18h, e todos os protocolos médicos e manobras de suporte à vida foram rigorosamente seguidos”.
A defesa afirma, ainda, que o óbito ocorrido no dia seguinte foi um desfecho clínico decorrente da gravidade extrema com que o animal deu entrada na unidade, e não de qualquer falha na prestação do serviço. “Não houve, em qualquer momento, omissão ou negligência”, diz.
“Os achados preliminares apontam que a causa da morte foi uma infecção, possivelmente Leptospirose, relacionada à ausência de imunização (vacinação). Fica evidente, portanto, que a patologia se instalou por falta de cuidados preventivos que cabiam exclusivamente aos tutores, e não por negligência no atendimento hospitalar”, diz a nota.
A defesa diz, ainda, que aguarda a conclusão do laudo histopatológico definitivo, com prazo de 20 a 30 dias.
FONTE: METRÓPOLES





