
A mãe da adolescente Ester Silva, de 14 anos, morta pelo padrastro em Planaltina (DF) no último domingo (18/1), rompeu o silêncio e se manifestou pela primeira vez.
“Venho a público com o coração despedaçado. Parte de mim se foi com a Ester, ainda não consigo entender tudo“, escreveu Sindicléia Silva nas redes sociais.
A mãe agradeceu ainda por todo o apoio recebido por amigos e pela comunidade em geral e clamou por justiça.
“A saudade dói a cada minuto mas sigo pedindo forças a Deus para continuar porque eu tenho minha outra filha.
Eu sei que nada vai trazer a Ester de volta, mas eu preciso que a justiça seja feita. Que a história da minha filha não seja esquecida e que nenhuma outra mãe precise passar por essa dor.
Obrigada por cada abraço, cada oração e cada gesto de carinho — eles têm me sustentado. Prometo honrar a memória da minha filha. A Ester vive em mim todos os dias. Vou carregar o amor dela para sempre.”
Sindicléia também publicou uma imagem de quando Ester foi destaque destaque literária no 5º ano do ensino fundamental na Escola Classe Aspalha.
No texto, escrito por Ester ela dizia que gostava de ouvir música calma para adormecer e adorava ler mangás, desenhar e criar personagens de histórias. No texto, ela também relatou ter medo de escuro “por não saber o que há dentro dele”.
O feminicidio
Na noite de domingo (18/1) Ester foi morta dentro de casa pelo namorado da mãe.
À Polícia Civil, a mãe da menina disse que na noite anterior, durante o jantar, toda a família tomou um suco, mas que só ela e as filhas teriam ficado absurdamente sonolentas.
Já de madrugada, quando acordou, a filha mais nova estava no quarto. Quando questionada, a menina teria dito que o padrasto havia mandado ela dormir lá. A mãe foi ao quarto das meninas e encontrou a mais velha já sem vida. A vítima tinha lesões no pescoço e no rosto.
O homem levou alguns pertences, entre eles um celular. Foi por meio do GPS do aparelho que a polícia conseguiu localizá-lo. Segundo os policiais, o autor manteve um comportamento frio durante toda a abordagem, sem demonstrar arrependimento.
Posteriormente, já na delegacia, o homem afirmou que, durante a madrugada, tentou fazer uso de drogas no apartamento e, após ser impedido pela adolescente, a enforcou.
Extensa ficha criminal
Segundo a PMDF, Marlon possui outros crimes em sua ficha criminal, como outros dois casos de estupros: um contra a própria mãe e outro contra uma criança de 11 anos.
Em agosto de 2019, Marlon foi acusado de abusar sexualmente de uma criança de 11 anos. Segundo a mãe da vítima, ela, o marido e suas três filhas participavam de um almoço em uma chácara quando o crime ocorreu.
Ainda de acordo com a mulher, Marlon chegou ao local visivelmente embriagado e sob efeito de entorpecentes. Em determinado momento, a mãe informou que foi descansar e deixou as filhas sob a supervisão da mais velha.
Após procurá-las por aproximadamente uma hora, encontrou inicialmente apenas uma das filhas, que relatou que o homem havia levado a irmã, de 11 anos, à força para a cachoeira. Pouco depois, a vítima foi localizada e relatou ter sofrido abuso sexual, além de ter sido ameaçada de morte por ele.
Cerca de quatro anos depois, em dezembro de 2023, Marlon teria estuprado a própria mãe. A PMDF foi acionada e, quando chegou ao local, encontrou o criminoso já contido no chão, próximo ao pai e ao irmão.
Na época, de acordo com a corporação, Marlon estava em saída temporária de Natal. A companheira da mãe de Marlon confirmou o crime por meio de um vídeo gravado logo após o fato.
Fonte: Metrópoles





