Este domingo (4/1) foi, para venezuelanos refugiados no Distrito Federal, um dia de demonstrar aprovação ao que aconteceu país vizinho, com a prisão do presidente Nicolás Maduro.
Desde as 16h, eles se reuniram na Torre de TV, em Brasília, para comemorar a captura de Maduro, após a divulgação de informações sobre uma ofensiva militar
Maduro e a esposa estão sob custódia das autoridades norte-americanas e seriam levados à Justiça em Nova York, sob acusações de narcoterrorismo. Para os manifestantes, a notícia representa a esperança de um fim definitivo da ditatura venezuelana.
Entre os presentes estava o ex-sargento da Guarda Nacional Bolivariana Carlos Eduardo Zapata, 36 anos, que vive há cerca de cinco anos no Distrito Federal. Ele desertou das forças venezuelanas em 2019, durante a crise na fronteira com o Brasil, ao se recusar a cumprir a ordem de impedir a entrada de ajuda humanitária no país.
Zapata deixou o destacamento onde servia, abandonou o uniforme e cruzou a pé a fronteira por Pacaraima (RR) para pedir refúgio. Segundo ele, a decisão foi motivada pela falta de condições mínimas dentro dos quartéis: “Não havia comida, não havia colchões. A gente dormia no chão.”
Após a deserção, o ex-militar afirma que a esposa e o filho, então com 9 anos, passaram a ser perseguidos por militares ligados ao regime. “Se eu voltasse, seria morto”, declarou.
A manifestação também reuniu Cléia Silva Pedreeira, 46 anos, venezuelana, filha de mãe brasileira e pai venezuelano, que vive há oito anos em Brasília. Para ela, a mobilização não tem relação com disputas ideológicas ou interesses econômicos.
“Não se trata de esquerda ou direita. Não se trata de petróleo. Se trata da liberdade de pessoas que fugiram para comemorar hoje”, afirmou.
Cléia diz que venezuelanos que permanecem no país vivem sob medo constante e sem liberdade de expressão. Antes de migrar, ela era engenheira eletricista e funcionária pública, mas afirma que perdeu o emprego por não se alinhar ao governo. “A gente era forçado a ir às manifestações, concordando ou não”, contou.
Além de venezuelanos, cubanos também participaram do ato, exibindo faixas com dizeres como “Em Cuba o PCC está rompendo pessoas”, em referência a denúncias de repressão e violência atribuídas ao regime cubano.











