Mesmo com decisão do GDF, Sinpro mantém paralisação dos professores

22 de abril de 2026

Mesmo após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidir suspender a mudança na forma de cálculo do pagamento dos professores temporários da rede pública, o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) decidiu manter a paralisação da categoria para quinta-feira (23/4) na Praça do Buriti, às 9h.

Segundo a governadora, a medida foi tomada após a secretária de Educação interina, Iêdes Braga, apontar que a mudança poderia elevar os valores recebidos por parte da categoria, mas também reduzir o pagamento de outros profissionais.

“Eu determinei que ela suspendesse a portaria da mudança dessa forma de cálculo para que nós pudéssemos dialogar diretamente com a categoria”, afirmou Celina.

A medida ainda será oficializada em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).

Além da suspensão da portaria, a governadora determinou a criação de um grupo de trabalho (GT) e o convite ao Sinpro-DF para integrar as discussões.

A secretária de Educação classificou a decisão como “muito certa e necessária”. Segundo ela, o governo vai corrigir o descompasso na remuneração dos temporários, garantindo o pagamento da coordenação pedagógica nos moldes adotados anteriormente.

“[…] Nós vamos atualizar a legislação, atualizar as portarias, fazer isso num diálogo sempre pronto, sempre muito aberto com o sindicato dos professores porque assim a gente garante que os nossos estudantes vão continuar recebendo a educação de qualidade que nós buscamos para todos eles”, afirmou Iêdes.

Paralisação dos professores

Os docentes da rede pública do DF anunciaram uma paralisação das atividades na quinta-feira (23/4), em protesto contra a redução dos salários dos professores temporários.

Segundo a entidade, a metodologia implementada no sistema EducaDF provocou redução nos contracheques e ampliou a precarização do trabalho dos docentes.

A paralisação terá um ato na Praça do Buriti às 9h. De acordo com o sindicato, os profissionais em regime de contratação temporária representam 60% do contingente de servidores em regência de classe no DF.

Reivindicações:

  • Pagamento integral da jornada de trabalho;
  • Garantia do piso da carreira para contratos temporários;
  • Coordenação pedagógica respeitada em sua integralidade;
  • Fim da hora-aula e;
  • Um sistema de gestão de diário on-line que respeite a realidade da rede do DF.

Segundo o Sinpro, o sistema EducaDF, foi adquirido de uma empresa de São Paulo e implementado como pacote fechado pelo GDF ao custo de R$ 40 milhões.

De acordo com o sindicato, a ferramenta não recebeu nenhuma adaptação para a realidade das escolas e das normativas específicas do DF.

Sem a adaptação, do ponto de vista dos educadores, houve alteração no cálculo das horas trabalhadas, o que tem causado perdas salariais significativas para os contratos temporários.
FONTE: METRÓPOLES