Cientistas descobrem como regenerar o coração após infarto; ativar o ‘autorreparo’

01 de outubro de 2026


Vai ciência! Cientistas descobriram como fazer o coração se regenerar sozinho após infarto: eles reativaram mecanismos naturais de autorreparo que ficam praticamente adormecidos na vida adulta. Em testes com camundongos, o tratamento fez células cardíacas voltarem a se multiplicar, estimulou a formação de novos vasos sanguíneos e reduziu o tecido de cicatriz deixado pela lesão.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute, nos Estados Unidos, e publicada no último dia 28 na revista científica NatureCardiovascular Research.

“Depois do tratamento, observamos células cardíacas voltando a se multiplicar, além da formação de novos vasos sanguíneos e da redução do tecido cicatricial que normalmente aparece após um infarto”, explicou Ahmed Mahmoud, autor sênior do estudo, diretor interino e professor associado do Centro de Doenças Cardiovasculares e Musculares do Sanford Burnham Prebys.

Mudança no metabolismo

A equipe descobriu que bloquear temporariamente uma enzima chamada succinato desidrogenase muda a forma como as células do coração produzem energia.

Essa alteração faz o metabolismo delas se aproximar do estado encontrado nos primeiros dias de vida.

Nos experimentos, os cientistas usaram uma substância chamada malonato para bloquear temporariamente essa enzima.

Dois tipos de células

Os pesquisadores também descobriram que a recuperação depende da ação conjunta de diferentes células do coração. Nas células musculares cardíacas, chamadas cardiomiócitos, o bloqueio da enzima estimulou a multiplicação celular.

Mas isso, sozinho, não foi suficiente para melhorar o funcionamento do coração. Quando o bloqueio ocorreu em fibroblastos cardíacos, células envolvidas na formação das cicatrizes, houve redução da fibrose e melhora da função cardíaca.

“É um efeito multicelular que está impulsionando a regeneração”, explicou Mahmoud. Segundo ele, essa interação só ficou clara quando os pesquisadores conseguiram estudar separadamente os efeitos da mudança metabólica nos diferentes tipos de células.

Genes de regeneração

A equipe também analisou o DNA das células. Depois do tratamento, regiões relacionadas a genes responsáveis pela regeneração e pela multiplicação celular ficaram mais acessíveis.

Ao mesmo tempo, genes relacionados à formação de cicatrizes foram menos ativados.

Para Mahmoud, um dos pontos mais importantes do estudo é que a técnica não tenta estimular apenas um mecanismo isolado. “Um dos aspectos mais interessantes deste trabalho é que a reprogramação metabólica parece despertar várias características da resposta regenerativa normalmente observada no coração neonatal”, afirmou.

Próximos passos

Agora, os pesquisadores pretendem avançar nos estudos para avaliar a segurança e a possibilidade de transformar a descoberta em tratamento.

“O nosso objetivo de longo prazo é levar esse conceito para testes clínicos e, finalmente, desenvolver uma terapia para as mais de 800 mil pessoas que sofrem um infarto todos os anos nos Estados Unidos”, disse Mahmoud.
FONTE: SÓ NOTÍCIA BOA