Cientistas identificam marcadores dos diferentes estágios do Parkinson

30 de dezembro de 2024


Um grupo internacional de pesquisadores fez um avanço importante no entendimento do Parkinson. Os cientistas conseguiram identificar marcadores que indicam padrões de neurodegeneração do cérebro para cinco estágios clínicos da doença.

A descoberta foi publicada na revista NPJ Parkinson’s Disease e pode ser o primeiro passo para o desenvolvimento de melhores formas de diagnóstico e tratamento. Os pesquisadores acreditam que será mais fácil estabelecer em que estágio da doença o paciente está a partir de exames de imagem.

Parkinson
O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo. É uma condição que causa problemas de movimento, saúde mental, sono, dor, entre outros. A doença geralmente ocorre em pessoas mais velhas, mas indivíduos jovens também podem ser afetados.

A causa da enfermidade ainda é desconhecida, mas pessoas com histórico familiar da doença apresentam maior risco. Exposição à poluição do ar, pesticidas e solventes também aumentam a possibilidade de desenvolver a doença, destaca a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura
Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos
Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida
Novos marcadores do Parkinson
Para fazer o estudo global, os pesquisadores analisaram dados clínicos e de ressonância magnética cerebral de 2.525 indivíduos com Parkinson e 1.326 pessoas saudáveis de 20 países diferentes.

Eles observaram que, conforme a doença avançava entre seus estágios, o paciente apresentava um grau maior de atrofia ou hipertrofia nas estruturas ligadas ao movimento e em outras áreas corticais, responsáveis por funções básicas.

Também ficou evidente que várias dessas estruturas apresentavam diferenças na forma. Algumas regiões do tálamo — que atua como um retransmissor de informações dos sentidos para o córtex cerebral — haviam ficado mais espessas.

As amígdalas, por sua vez, diminuíram de tamanho. Essa estrutura está relacionada com a regulação das emoções e do comportamento social.

“No maior estudo sobre a forma subcortical no Parkinson até o momento, encontramos anormalidades locais de regiões cerebrais subcorticais em pessoas a doença em comparação com controles em todos os estágios da doença. Padrões amplamente congruentes foram associados a um tempo maior desde o diagnóstico e piores sintomas motores e desempenho cognitivo”, dizem os pesquisadores no trabalho.

Os pesquisadores acreditam que os resultados possibilitam novas formas de acompanhar tratamentos futuros. “Essas descobertas fornecem novos insights sobre a degeneração subcortical do Parkinson ao demonstrar padrões de morfologia específica do estágio da doença, amplamente consistentes com a degeneração em andamento”, consideram.

Fonte: Metrópoles