Moradores do Condomínio Ville de Montagne, no Jardim Botânico (DF), estão preocupados com a expansão da Titônia (Tithonia diversifolia), uma planta exótica invasora que cresce rapidamente nos muros, nas áreas comuns e nas bordas de preservação do condomínio. Muitos já cogitam removê-la, temendo que a espécie comprometa a vegetação nativa e o equilíbrio do ecossistema local.
Um morador, que preferiu não se identificar, conta que a beleza das flores grandes e coloridas leva muitas pessoas a plantá-las sem perceber os riscos. “É importante destacar que o uso do nome “margaridão do cerrado” é especialmente danoso, pois associa indevidamente a planta ao bioma, induzindo a população a acreditar que se trata de uma espécie nativa ou benéfica.”
A professora Carmem Regina, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), reforça que o problema, muitas vezes, começa dentro dos próprios quintais. “Ela é agressiva demais. Originária do México, a Tithonia diversifolia foi trazida como ornamental, mas, fora do seu ambiente natural, ataca a vegetação do Cerrado. Onde encontra área aberta, toma conta. Se deixar florir e produzir sementes, espalha para todo lado”, alerta.
Entre os principais impactos apontados pela especialista estão: sufocamento da vegetação nativa, redução da biodiversidade, prejuízo à fauna que depende das espécies típicas do Cerrado, dificuldade de erradicação — já que a planta rebrota a partir das raízes — e avanço sobre áreas protegidas, como o Parque Nacional de Brasília.
“Em geral, não há proibição automática para cultivo ornamental em áreas privadas. No entanto, em unidades de conservação e projetos de recuperação ambiental, o controle é obrigatório”, conclui.
A Titônia faz parte de uma lista do ICMBio de plantas invasoras, ou seja, aquelas que conseguem se estabelecer, se dispersar e competir com a vegetação nativa, provocando desequilíbrio ambiental.
Veja lista completa
Os critérios incluem histórico de invasão em outras regiões, facilidade de propagação, resistência a condições adversas e impacto sobre a biodiversidade. A inclusão em listas de monitoramento orienta ações de controle e manejo, principalmente em áreas públicas e unidades de conservação.
Além da Titônia, Carmem Regina cita a Leucaena leucocephala, conhecida como leucena, outra espécie exótica problemática. “A leucena cresce rápido, produz grande quantidade de sementes e se espalha com facilidade por áreas abertas e degradadas. Quando se estabelece, cria sombra intensa e impede que plantas nativas do Cerrado se desenvolvam, reduzindo a diversidade da vegetação. Além disso, altera a composição do solo ao fixar nitrogênio em excesso, favorecendo ainda mais sua própria expansão”, explica
O que diz o condomínio
Procurada pelo Metrópoles, a Diretoria de Meio Ambiente do Condomínio Ville de Montagne informou, em nota, que qualquer intervenção deve ser feita com avaliação técnica. “A Titônia está em área de preservação e só pode ser retirada com autorização do Ibama. Retirá-la por conta própria, mesmo com boas intenções, pode gerar problemas legais”, explicou.





