
O desaparecimento de um italiano, de 80 anos, está cercado de mistério e indícios de extrema violência no Distrito Federal. O caso, que é conduzido pela Seção de Investigação de Crimes Violentos (SicVio) da 30ª Delegacia de Polícia de São Sebastião, é tratado como latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver, apesar de o corpo da vítima ainda não ter sido localizado.
Segundo as investigações, Orazio Giuliani saiu de casa na manhã desse sábado (11/4) e não retornou, o que levou sua mulher, Maria Lourdes de Souza, a iniciar buscas por conta própria. Ao se dirigir à chácara onde o idoso construía uma igreja, ela se deparou com uma cena chocante: o local apresentava grande quantidade de sangue espalhado pelo chão, sinais de arrombamento na porta de entrada, além de uma corda com vestígios de sangue e a dentadura da vítima caída no interior do imóvel.
Para os investigadores da SicVio, o cenário indica que o idoso pode ter sido rendido, amarrado e submetido a agressões violentas.
As apurações também revelaram que o veículo da vítima, um Peugeot 206 prata, foi visto deixando o local em alta velocidade por volta das 21h, comportamento considerado incomum, já que, segundo familiares, Orazio dirigia de forma cautelosa.
Câmeras de segurança registraram a presença de dois homens dentro do imóvel, mas o sistema foi desligado durante a ação, o que reforça a suspeita de um crime premeditado.
Coveiro assassino
No curso das investigações, a equipe da SicVio da 30ª DP identificou como principais suspeitos o ex-funcionário da obra, Leonardo Conceição de Araújo, e seu primo, Bruno Cruz de Araújo, conhecido como “Coveiro”. Um dos elementos mais relevantes do inquérito foi a apreensão de um par de tênis na residência de Leonardo, que apresentava vestígios de sangue humano, mesmo após ter sido lavado.
Além disso, testemunhas afirmaram ter visto os dois suspeitos dentro do veículo da vítima na noite do crime, e também os reconheceram nas imagens de segurança com base em características físicas e comportamentais.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento de Bruno no dia seguinte ao crime. Ele teria aparecido em uma chácara com ferimentos nos braços e nas pernas, alegando ter se machucado em arame, mas aparentado nervosismo.
Fuga e prisão
Ao ser localizado pela polícia, Bruno fugiu pela mata acompanhado de um terceiro indivíduo, identificado como Lucas. Este último continuava foragido até a última atualização desta reportagem. Leonardo, por sua vez, foi preso em flagrante e, de acordo com a polícia, possui antecedentes criminais e histórico de uso de drogas.
Apesar da ausência do corpo, a Polícia Civil sustenta que há fortes indícios de que Orazio Giuliani foi vítima de latrocínio, seguido da ocultação de cadáver. O veículo do idoso também não foi encontrado, o que reforça a hipótese de tentativa de eliminação de provas.
A prisão do principal suspeito é considerada fundamental para o avanço das investigações, especialmente para esclarecer a dinâmica dos fatos, a motivação do crime e a possível participação de outros envolvidos.
Onde está o corpo?
O caso gerou forte comoção entre moradores da região de São Sebastião, principalmente pela brutalidade dos indícios e pelo fato de o crime ter ocorrido em um local religioso em construção.
A SicVio da 30ª Delegacia de Polícia segue à frente das investigações, trabalhando para responder às principais perguntas que ainda cercam o caso: onde está o corpo da vítima, quem mais pode ter participado da ação e o que, de fato, aconteceu na noite do desaparecimento.
Até que essas respostas sejam encontradas, o caso permanece como um dos mais enigmáticos e inquietantes do DF.
FONTE: METRÓPOLES









