Ex-paciente stalker transforma vida de casal de médicos em inferno virtual

29 de maio de 2026


O monitor iluminado era o ponto de partida para um plano sistemático de destruição psicológica que se tornou alvo de operação daPolícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O que parecia apenas o incômodo trivial de comentários maliciosos na internet revelou-se em obsessão doentia de uma mulher. Nessa quinta-feira (28/5), agentes da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) puseram fim ao rastro de terror cibernético que assombrava um casal de médicos brasilienses desde outubro do ano passado.

Uma mulher, de 40 anos, cuja identidade é preservada pelas autoridades, foi o alvo de mandado de busca e apreensão. Na casa da suspeita, a polícia apreendeu aparelhos celulares, um notebook e um computador. Dispositivos que, segundo as investigações, eram usados para alimentar uma rede de pelo menos 10 perfis falsos no Instagram e Facebook, criados com o único propósito de stalkear, difamar e ameaçar as vítimas.

A engenharia do assédio começou de forma sutil. A vítima principal, uma médica geriatra que utiliza seu perfil profissional no Instagram com cerca de 10 mil seguidores para disseminar informações e dar aulas, começou a notar um padrão macabro em outubro de 2025. Perfis diferentes, mas com o mesmo padrão de ataque em tom destrutivo, surgiam repetidamente.

Exército de perfis fakes

“No início, era sempre falando mal de mim, denegrindo a imagem. Diziam que meus óculos me envelheciam, que eu precisava atualizar minhas formas de dar aula, reclamando das orientações e dos vídeos”, relembrou a médica em seu relato.

Ela bloqueava as contas, mas a stalker renascia sob novos nomes e avatares. Em dezembro do ano passado, a barreira do profissional foi rompida. Após a médica publicar uma homenagem de aniversário para o marido, um médico cardiologista, a agressora mudou o foco. A obsessão ganhou contornos de fixação pelo médico. As mensagens passaram a elogiá-lo de forma invasiva: “Ele é realmente maravilhoso”, “Vou dar um abraço”.

Em janeiro de 2026, o tom azedou para a perversão e a difamação explícita. A stalker escalou nos ataques ao tentar desestabilizar a estrutura familiar do casal. Ela enviou mensagens para parentes afirmando que o cardiologista queria se separar e acusou o casal de usar “rituais ocultos” para atrair pacientes.

Calcinha no carro

A situação se tornou ainda mais grave quando a stalker insinuou ter calcinhas dela dentro do carro do médico e chegou ao extremo de enviar mensagens de cunho sexual explícito e altamente vulgar para a mãe do cardiologista, detalhando atos sexuais grotescos que supostamente mantinha com o filho dela, o que nunca ocorreu.

Diante do rastro de destruição emocional e do medo latente, o casal buscou o amparo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A equipe da 26ª DP iniciou o cruzamento de dados digitais, quebrando o anonimato que a autora acreditava ter nas sombras da internet.

Ao cumprir os mandados de busca na casa da suspeita, os policiais encontraram mais do que computadores; encontraram a motivação por trás do crime. A autora era, na verdade, uma antiga paciente do cardiologista.

“Momento de bobeira”

Em depoimento na delegacia, confrontada com as evidências de seus 10 perfis falsos, a mulher confessou os crimes. Justificou alegando ter se apaixonado pelo médico e alegou que tudo não passou de “um momento de bobeira” motivado pelo ciúme e pelo desejo de atingir a esposa dele.

A polícia confirmou que o médico e a stalker jamais tiveram qualquer envolvimento amoroso, mantendo estritamente uma relação profissional no passado.

A investigação prossegue, e a mulher agora responderá em liberdade pelos crimes de perseguição (stalking), difamação e ameaça.

FONTE: METRÓPOLES