
Um morador do Distrito Federal amargou prejuízo de quase R$ 130 mil, após contratar uma empresa para fabricação e instalação de móveis planejados em um apartamento em Águas Claras (DF) e levar um golpe. Grande parte dos pagamentos foi feita de forma antecipada, mas o serviço nunca foi concluído e os valores não foram devolvidos.
A vítima é diretor de TI de uma empresa com sede em Brasília e pediu para não ser identificado. Ao Metrópoles, ele contou que conheceu Allan Rodrigues Viana, 30 anos, enquanto buscava referências para a reforma do imóvel onde mora há cerca de um ano e seis meses
“Allan se apresentou inicialmente como corretor e nos levou em algumas casas aqui na Arniqueira de um grande construtor conhecido e referência aqui em Brasília. Segundo ele, ele fazia a marcenaria desse construtor”, disse o diretor de TI.
Segundo a vítima, Allan lhe apresentou diversos imóveis nos quais teria executado serviços de marcenaria, o que aumentou a confiança no trabalho oferecido.
O cliente afirma que decidiu fechar contrato com a empresa após a promessa de que a marcenaria poderia ser executada paralelamente à obra do apartamento, sem comprometer o cronograma.
“Como teríamos que fazer a obra e a marcenaria, ele disse que conseguiria trabalhar em paralelo com o time da obra para tentar entregar a marcenaria junto da obra. Já que os demais profissionais que cotamos disseram que precisava esperar terminar a obra para começar a marcenaria”, explicou.
A expectativa do casal era adiantar os serviços e receber os móveis planejados em um prazo mais curto. O contrato foi assinado em 23 de junho de 2025 e previa a fabricação e instalação de móveis para sala, três suítes e escritório. O prazo de entrega estabelecido era de 90 dias a partir de 1º de setembro de 2025.
Segundo a vítima, porém, os problemas começaram logo após a assinatura do contrato. De acordo com o relato, Allan passou a solicitar pagamentos elevados antecipadamente sob a justificativa de compra de materiais e insumos, mesmo sem o início efetivo da marcenaria.
Alan é sócio da Viana Negócios Imobiliários Ltda. que, em nota, alegou que “os fatos não refletem integralmente o que ocorreu durante a execução do serviço”. Disse ainda que “o cliente em questão realizou diversas intervenções que impactaram diretamente o andamento da obra, incluindo bloqueio de acesso da equipe ao local, impedimentos para continuidade dos trabalhos e comportamento intimidador contra funcionários, com ameaças verbais e tentativas de coação, o que gerou insegurança para a equipe técnica responsável”. disse.
O valor do contrato era de R$ 123.320 mil.Do total, R$ 100 mil foram pagos antecipadamente em diferentes datas e modalidades:
- R$ 1 mil como sinal no ato da contratação;
- R$ 2 mil no cartão em 5 de setembro de 2025;
- R$ 15 mil e R$ 9.750 via Pix em 10 de setembro de 2025;
- R$ 20.169 em 16 de outubro de 2025;
- R$ 34.938 em 23 de outubro de 2025;
- R$ 28 mil em fevereiro de 2026.
O valor restante só seria pago após a conclusão integral dos serviços.
A entrega dos móveis estava prevista para o fim de novembro de 2025, mas o prazo não foi cumprido. Mesmo assim, conforme o relato, Allan continuou pedindo novos pagamentos em dezembro.
O cliente afirma que, em 12 de dezembro, Allan informou que a montagem da marcenaria começaria no dia seguinte. No entanto, segundo ele, a obra ainda apresentava pendências e praticamente não havia avanço na instalação dos móveis.
Ainda de acordo com a vítima, os poucos itens instalados apresentavam problemas estruturais e de acabamento. “No dia 17 de dezembro o teto estava instalado errado, parafusos para fora, não estava alinhado e segundo o mesmo, estava para ajuste”, disse.
Novo prazo e defeitos na obra
Em de 2026, o calvário da família continuava. A vítima afirma que os serviços executados na sala apresentavam desalinhamento, parafusos aparentes e instalação inadequada de um aparelho de ar-condicionado. Segundo ele, foi necessário gastar cerca de R$ 2,5 mil para corrigir o problema.
Mesmo assim, Allan solicitou um novo prazo para a entrega dos móveis. “Apesar de eu ter questionado repetidamente sobre o ritmo das obras, apontando que a velocidade atual era insuficiente para cumprir o cronograma, o responsável insistia que o prazo seria respeitado conforme o planejado”, afirmou.
Segundo a vítima, Allan também admitiu atrasos nas mensagens trocadas por WhatsApp e chegou a reconhecer que parte dos móveis instalados na sala precisaria ser refeita por falta de segurança estrutural.
“Os demais cômodos permaneciam na mesma situação, sem que qualquer item de marcenaria tivesse sido instalado até aquele momento. O cenário nos outros ambientes não era diferente, uma vez que ainda careciam totalmente da montagem dos móveis planejados”, disse.
Diante dos atrasos e problemas apontados, Allan teria apresentado, no fim de janeiro, um novo marceneiro identificado como Claudio para dar continuidade à obra. Segundo a vítima, a proposta previa que todos os custos adicionais fossem pagos pelo próprio cliente. O novo orçamento apresentado teria sido de R$ 46 mil.
Ainda segundo o diretor de TI, Allan alegou posteriormente que o novo marceneiro teria desaparecido com os materiais já pagos.
A vítima afirma ter desembolsado mais R$ 28 mil para refazer a sala, que, segundo ele, havia sido executada de forma incorreta pela equipe inicial.
Mesmo após a entrada da nova empresa, o restante da marcenaria não teria sido concluído. O prejuízo, segundo a vítima, ultrapassou os valores pagos diretamente à marcenaria. Isso porque, além dos quase R$ 100 mil desembolsados inicialmente, o diretor de TI afirma que precisou arcar com novos custos após os atrasos e falhas na execução do serviço.
“O do Allan o prejuízo passou dos 100 mil já que, além da empresa que ele indicou pra finalizar, também me cobrou mais 28 mil reais, e também porque como nenhum prazo foi respeitado, estou gastando um valor grande de aluguel todo mês aguardando a obra estar pronta”, disse.
Segundo ele, os atrasos fizeram com que a mudança para o apartamento precisasse ser constantemente adiada, aumentando ainda mais os gastos mensais da família.
Tentativa de acordo frustrada
Segundo a vítima, uma tentativa de acordo foi feita em março deste ano, mas Allan teria acusado o cliente de agir de má-fé após interromper os trabalhos e contratar fiscalização independente.
“Ele disse que eu agi de má fé, que me apropriei do material que ele levou e disse que, após eu ter colocado um profissional para fiscalizar o trabalho dele, ele disse que não era mais segundo o projeto mas segundo o que o fiscal queria”, relatou.
Nas mensagens, Allan afirma para o cliente que não tem o que fazer em relação a situação. “Venderam o acesso, mudaram o projeto e a execução não foi mais como era”, disse Allan.
Após a tentativa de acordo, a vítima levou o caso para a Justiça e atualmente o processo tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Na ação, a família pede restituição de R$ 146 mil.
Para a vítima, o episódio deixou não apenas prejuízo financeiro, mas também desgaste emocional. Segundo ele, o sentimento é de “angustia e tristeza absurda”, além de desgosto com o projeto do apartamento devido ao que aconteceu.
“Impotência, porque o cara não foi homem suficiente para arcar com a palavra e assumir o prejuízo”, disse a vítima.
Ainda em nota, a empresa justifica que a não entrega dos móveis planejados se deu porque, “sem qualquer aviso prévio ou alinhamento contratual, o cliente optou por substituir equipes e inserir novas empresas na execução dos serviços, dificultando a organização da obra e inviabilizando a continuidade adequada do cronograma inicialmente estabelecido. Também foi colocada uma pessoa no local com a orientação de impedir nossa presença e qualquer tentativa de diálogo ou solução prática para finalização dos serviços, o que agravou ainda mais a situação e impossibilitou uma resolução amigável naquele momento”, disse.
Quem é Allan
Nas redes sociais, Allan se apresenta como corretor especializado em imóveis exclusivos e de alto padrão em Brasília. O perfil reúne cerca de 5 mil seguidores e divulga imóveis milionários e projetos residenciais.
A empresa Viana Negócios Imobiliários Ltda tem sede em Taguatinga Norte e foi fundada em 2022. Segundo consulta ao sistema da Serasa, a empresa segue ativa.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Allan também possui um mandado de prisão em aberto desde abril de 2026. Além disso, o histórico policial dele inclui registros por injúria, vias de fato, ameaça e violência doméstica com base na Lei Maria da Penha.















