
A professora de espanhol Delara Josefina Rojas, tutora Shih Tzu Niebla, de 2 anos, acionou a Justiça do Distrito Federal e registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil (PCDF) após o animal morrer durante um mutirão de castração, realizado em 9 de junho de 2026. A ação social, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ocorreu nas proximidades da Biblioteca Nacional de Brasília.
De acordo com o relato da tutora, o mutirão apresentou desorganização desde o início. Devido a uma falha no sistema do evento, a ficha de autorização cirúrgica de Niebla não foi impressa antes da operação, e o animal deu entrada no centro cirúrgico apenas com uma senha.
Após horas sem informações claras — período em que funcionários teriam dito que a cadela apenas “demorava a acordar da anestesia” —, a equipe chamou a tutora com urgência para que assinasse a autorização retroativamente. Minutos depois, o óbito por parada respiratória foi confirmado. A acusação aponta que a assinatura foi colhida de má-fé, quando o animal possivelmente já estava morto.
A tutora de Niebla disse estar arrasada com a morte da cachorrinha. “Triste, com muita frustração, impotência. Sem minha cadela por negligência”, destacou
A diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais, Vanessa Negrini, foi uma das líderes da ação e divulgou amplamente as ações sociais em parceria com o Centro Veterinário Paiol. Segundo a proprietária, nascida na Venezuela e moradora do Distrito Federal, a cadela estava em perfeito estado de saúde antes do procedimento.
O Juizado de Varas Especiais (JEC) se declarou incompetente para julgar a ação contra Vanessa Negrini e a Clínica Paiol e a tutora terá que buscar seus direitos na Justiça Comum.
Falhas na comunicação e mudança de regras
Delara ressaltou que a gravidade do descontrole administrativo ficou evidente no dia seguinte ao óbito (10 de junho), quando a tutora recebeu uma mensagem de texto automatizada dos organizadores com instruções para os “cuidados pós-operatórios” de Niebla, indicando que o sistema não havia registrado a morte do animal
Além disso, a defesa da tutora aponta que foram alteradas as regras do projeto dois dias após o ocorrido.
Uma nova publicação feita no dia 11 de junho pelo MMA passou a proibir expressamente a inscrição de cães braquicéfalos de focinho achatado, mesma espécie da cachorra Niebla, nos mutirões. Para a tutora, a mudança tardia comprova que os organizadores operaram o animal sabendo dos riscos anatômicos, sem estrutura de suporte adequada, violando o dever de informação prévia ao consumidor.
Em suas redes sociais, a diretora do MMA, Vanessa Negrini também divulgou a recomendação da proibição de cães braquicéfalos. “Para a segurança do animal, não é recomendada a castração de raças braquicefálicos em mutirões”.

Outro lado
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lamenta profundamente a morte de Niebla e manifesta solidariedade à sua tutora, que foi comunicada sobre o ocorrido ainda no local do procedimento pela equipe veterinária responsável.
O atendimento foi realizado no âmbito de mutirão de castração promovido em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), responsável pela contratação da empresa especializada que executou os serviços médico-veterinários (IG – Instituto Gestão), incluindo avaliação clínica, anestesia, cirurgia e cuidados pós-operatórios
Após a ocorrência, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF) fiscalizou as instalações, os equipamentos e os protocolos adotados na unidade móvel utilizada na ação, sem identificar inconformidades nos aspectos inspecionados.
O MMA reafirma seu compromisso com o bem-estar animal e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários.
FONTE: METRÓPOLES