Advogado preso em academia após briga por equipamento denuncia abuso

30 de junho de 2026


Um desentendimento entre o advogado Vinicius Colli e uma mulher, identificada como Beatriz Albuquerque Pereira, por causa de um aparelho terminou em confusão dentro de uma academia em Planaltina (DF), no último dia 13 de junho. O advogado foi autuado por crimes de ameaça e injúria e foi liberado após pagar fiança de R$ 1 mil. O homem, que é autista e está em tratamento oncológico, chegou a convulsionar após passar mal dentro da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina). Ele denunciou o caso

A ocorrência passou a ser investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), que apura possível abuso de autoridade policial na prisão do advogado.

O motivo da briga teria sido o fato de Vinicius solicitar que Beatriz, a outra aluna, retirasse um acessório de um aparelho. Após a recusa, a discussão teria iniciado. “Quando eu cheguei, no local havia um aparelho de agachamento búlgaro no aparelho Smith da academia. Eu usei o aparelho normalmente e, quando fui sair, deixei o aparelho exatamente onde estava. Quando estava saindo, um rapaz perguntou se eu havia terminado, e eu fiz com a mão que sim. Em seguida, ele disse: ‘Foi você quem usou esse aparelho?’. Eu disse que não fui eu quem o havia colocado ali, mas que o tinha usado. Em seguida, eu disse que ‘não tirei o aparelho porque não conseguia’ e tentei retirar o aparelho do lugar, mas não consegui porque era muito pesado”, explica Beatriz.

O advogado removeu o objeto, momento em que alega ter sido insultado pela mulher, que teria dito “além de não ser cavalheiro, é um puta de um mal educado”. “Enquanto saía de perto dele, ouvi ele me chamar ‘puta’. Naquele momento, fui questioná-lo se ele havia me chamado de puta e qual era o nome dele. Ele se negou a dizer, eu saí do local e fui direto conversar com a recepcionista da academia para perguntar se a câmera do local gravava áudio também”, relembra a jovem.

“Respondi em tom comparativo e hipotético: ‘Se eu te chamasse de puta mal educada, você não iria gostar”. Em nenhum momento a chamei diretamente de ‘puta’.”, disse o advogado, em sua versão, ao Metrópoles.

O advogado disse que minutos depois da confusão, Beatriz retornou ao local acompanhada de seu namorado, agente da Polícia Civil do DF (PCDF), que estava na companhia de outros policiais civis.

O advogado afirma ter sido levado à delegacia sob uso de força e teria recebido uma torção de braço e um mata-leão, momento em que teria desmaiado. A abordagem teria causado lesões e escoriações em várias partes do corpo.

“Quando recobrei a consciência, já estava algemado e fui conduzido ao cubículo da viatura. Foi dito que o delegado teria determinado que eu fosse levado “de qualquer forma”, informou o advogado.

 

Apesar disso, Vinicius confessa que no momento de desespero chamou um dos agentes de “policial de merda”, o que é confirmado por Beatriz em seu relato: “A todo momento, ele mostrava comportamento agressivo e disse que não iria para a delegacia. Ainda dentro da academia, ele ligou para o advogado e, pelo que parece, este o orientou a ir para a delegacia e que o encontraria no local. Enquanto o agressor era conduzido para a viatura, ainda dentro da academia, ele ficou gritando que o pai era subtenente da PM e dito ‘Eu vou foder vocês’ e ‘você está fodida’, em tom de ameaça”, relembra.

O que diz a PCDF

A PCDF, por meio da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), informou que realizou a prisão em flagrante do advogado por crimes de injúria, ameaça e resistência pelo fato ocorrido.

De acordo com a PCDF, equipes policiais foram acionadas para atender uma ocorrência envolvendo ofensas e ameaças dirigidas a uma mulher no interior de uma academia.

“Durante a intervenção policial, o autor apresentou resistência à abordagem, sendo necessária sua contenção mediante uso moderado da força. Ainda durante a ação, o homem continuou proferindo ofensas contra a vítima, além de ameaças e insultos direcionados aos policiais que atuavam na ocorrência.

A PCDF informou que após ser conduzido à 16ª Delegacia de Polícia para os procedimentos legais, o autuado apresentou mal-estar, recebendo atendimento inicial de brigadistas e, posteriormente, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), sendo encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina para avaliação médica.

Após prestar depoimento, o advogado foi liberado sob fiança de R$ 1 mil.

Beatriz diz que a rotina dela nunca mais foi a mesma. “Desde o dia em que aconteceu, eu tenho medo de sair na rua e encontrá-lo. Tenho medo de ele tentar algo contra mim. De sair na rua e encontrá-lo, e de ele tentar algo contra mim”, desabafa.

Denúncia

Além do MPDFT, o advogado registrou denúncia na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e na Corregedoria da PCDF pela abordagem feita pelos policiais civis e por alegar que seu depoimento teria sido fraudado. Vinicius também pretende ingressar na Justiça contra a ação dos policiais civis.

FONTE: METRÓPOLES