Antes de morrer, Lito recebeu tratamento experimental inédito

01 de outubro de 2026

Antes de morrer, Lito recebeu tratamento experimental inédito

A morte de Lito Sousa nessa quinta-feira (1/10), encerrou uma tentativa de tratamento que buscava uma alternativa para um quadro sem terapia aprovada capaz de frear a evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob.

Cerca de duas semanas antes, o influenciador havia recebido o ALN-6457, uma substância experimental desenvolvida pela Regeneron em parceria com a Alnylam Pharmaceuticals.

Uma tentativa inédita
O composto ainda não havia sido administrado anteriormente em seres humanos. A utilização em Lito ocorreu em caráter excepcional, enquanto ele estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por complicações relacionadas à doença.

A informação sobre a aplicação foi divulgada por Mila Seidl, esposa de Lito, em um vídeo publicado em 14 de setembro. Na ocasião, ela explicou que o marido havia recebido a substância no fim de semana anterior e que, até aquele momento, não havia apresentado uma reação adversa. Como se tratava de uma molécula inédita em humanos, o acompanhamento médico era necessário para avaliar a resposta ao composto.

A expectativa da equipe que acompanhava Lito era observar o quadro ao longo das semanas seguintes. Exames programados para aproximadamente seis semanas depois da aplicação seriam utilizados para verificar se havia ocorrido alguma alteração em sua condição.

Por ainda estar em uma etapa anterior aos testes clínicos, o ALN-6457 tinha poucas informações públicas disponíveis. A experiência de Lito também passou pelo chamado uso compassivo, mecanismo que permite, em determinadas circunstâncias, o acesso de pacientes a medicamentos ou substâncias experimentais quando não há alternativas terapêuticas aprovadas.

Na semana passada, antes da morte de Lito, Mila conversou com a Coluna Fábia Oliveira sobre o processo que havia permitido ao marido receber o tratamento experimental.

Como funciona
Na ocasião, ela explicou que o uso compassivo dependia de uma série de etapas e da participação tanto da indústria farmacêutica quanto das autoridades dos países envolvidos. Segundo ela, o mecanismo estava previsto no Brasil e também pelo laboratório responsável pelo composto.

“Sobre a experiência que a gente teve, eu acho que, no final do dia, a gente consegue trazer luz para as pessoas para entender um pouco os caminhos que podem ser seguidos em uma doença rara, grave e fatal, como a solicitação do uso compassivo da medicação. O uso compassivo da medicação acontece quando não existe mais saída, então o seu desfecho provável é a morte em pouco tempo. Você tomar um remédio ainda experimental, por mais que tenha um resultado que não seja positivo, não mudaria o resultado já previsto do curso normal da doença.Então, muita gente não sabe disso. É óbvio que o uso compassivo da medicação depende de a farmacêutica querer, depende de os países envolvidos terem previamente estabelecido essa possibilidade. No caso do Lito, era no Brasil, o Brasil tem essa possibilidade, e o laboratório era americano, que também prevê o uso compassivo da medicação.”

Durante a conversa, Mila também explicou que a iniciativa não dependia apenas da família. O médico responsável participava da solicitação, enquanto cabia à empresa farmacêutica encaminhar o pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Então, todo esse processo precisa ser feito pela família e pelo médico, e, no caso do Brasil, precisa ser submetido à Anvisa pelo laboratório. É o laboratório que provoca a Anvisa, falando: ‘Olha, eu quero dar o uso compassivo de medicação para esse paciente’.”

A esposa de Lito ainda contou que a farmacêutica precisava avaliar se o paciente poderia se beneficiar da substância e se o caso permanecia adequado para a investigação do tratamento.

“E é óbvio que, para o laboratório querer dar, ele tem que enxergar que existe, para ele, realmente, número um, uma possibilidade real de tratamento e, número dois, que faz sentido para estudo. ‘Olha, ele já não passou do ponto de tomar o remédio? É óbvio que isso é uma resposta difícil de dar, mas o laboratório também quer entender se ainda faz sentido a medicação para aquele paciente, então avaliar se ele seria elegível.”

Lito morreu nesta quinta-feira, após enfrentar as complicações provocadas pela doença de Creutzfeldt-Jakob.

Fonte: Metrópoles