Composto ligado à romã melhora função cardíaca em até 80% em estudo

08 de outubro de 2026


Um composto ligado à romã melhora função cardíaca em até 80% em um novo estudo sobre insuficiência cardíaca. A descoberta de cientistas do King’s College London envolve a urolitina A, substância produzida pelo organismo a partir de compostos presentes na romã, nas nozes e em algumas frutas vermelhas.

O composto é a urolitina A, produzida no intestino quando bactérias processam substâncias encontradas nesses alimentos. Nos experimentos, ela ajudou o coração a relaxar melhor entre os batimentos, além de reduzir a fibrose e alterações prejudiciais no músculo cardíaco.

Os resultados são promissores, mas ainda não significam que comer romã possa tratar a insuficiência cardíaca. O estudo, publicado na revista científica Science Advances e financiado pela British Heart Foundation, foi realizado em modelos animais e em tecido cardíaco humano desenvolvido em laboratório. Por isso, os pesquisadores afirmam que ainda são necessários testes clínicos com pacientes para saber se o benefício também ocorre em seres humanos.

Como o composto agiu no coração

O estudo analisou a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, conhecida pela sigla ICFEp. Nesse tipo da doença, o coração continua conseguindo bombear o sangue, mas o músculo fica mais rígido e tem dificuldade para relaxar e se encher adequadamente entre os batimentos.

A condição representa aproximadamente metade dos casos de insuficiência cardíaca e pode provocar sintomas como falta de ar, cansaço e dificuldade para realizar exercícios.

Nos modelos estudados pelos pesquisadores, a urolitina A melhorou a capacidade de relaxamento do coração e reduziu sinais associados ao processo de fibrose, que deixa o tecido cardíaco mais rígido.

Os cientistas também observaram benefícios relacionados às mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia das células. A urolitina A estimulou mecanismos envolvidos na remoção de mitocôndrias danificadas e ajudou a recuperar o funcionamento dessas estruturas.

Resultados também em células humanas

Além dos testes em animais, os pesquisadores estudaram cardiomiócitos humanos produzidos a partir de células-tronco.

Neles, o tratamento com urolitina A reduziu alterações relacionadas à fibrose e ajudou a restaurar processos importantes para a qualidade das mitocôndrias.

Os resultados reforçam o potencial do composto como ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova estratégia contra a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

Ainda não é tratamento

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que a descoberta ainda precisa avançar antes de chegar aos pacientes.

Isso também significa que não há evidência para recomendar o consumo de romã, nozes ou frutas vermelhas como tratamento para pessoas com insuficiência cardíaca.

A quantidade de urolitina A produzida pelo organismo pode variar de uma pessoa para outra, inclusive de acordo com as bactérias presentes no intestino.

O próximo passo é investigar se os efeitos observados nos experimentos podem ser reproduzidos com segurança em seres humanos. Se os resultados se confirmarem em estudos clínicos, a urolitina A poderá ajudar no desenvolvimento de novas abordagens para uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo.
FONTE: SÓ NOTÍCIA BOA