Covid-19: jovem é vacinada nos EUA antes do pai de 62 anos no Brasil

07 de abril de 2021

Ariela Momesso, brasileira de 23 anos residente dos Estados Unidos, contou em entrevista ao portal G1 a alegria que sentiu ao receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19, mas não escondeu a preocupação que sente em relação ao pai, que ainda não foi imunizado no Brasil.

Antônio Carlos Momesso, pai de Ariela, mora em Sorocaba (SP) e a cidade ainda não tem previsão de começar a vacinar idosos nesta faixa etária. Antônio, que tem 62 anos, é de grupo de risco, pois além de ter sofrido dois AVCs, tem hipertensão.

A jovem mora na cidade de Springville, no Condado de Utah, com o marido Irineu Neto e duas filhas. Ariela contou que recebeu a vacina da Pfizer no dia 28 de março e seu marido, também de 23 anos, no dia seguinte. “Ter essa vacina foi um milagre. Eu estava super ansiosa para receber. Fui a primeira da família a ser vacinada. É triste porque meu pai ainda corre risco”, destacou.

Ariela se mudou para os Estados Unidos há quatro anos, logo após seu casamento, em 2017. O marido dela, que trabalha e estuda no país, testou positivo para a Covid-19 em setembro do ano passado. O fato aconteceu no momento em que Ariela tinha acabado de dar à luz e precisou cuidar das duas filhas (uma de dois anos e outra de apenas um mês).

“Meu marido ficava arrasado. Minha filhinha chamava ele, era uma tristeza ficar longe. Foi muito difícil, eu não tenho minha família aqui, e mesmo se tivesse, eu não poderia ter alguém em casa”, afirmou.

Luz no fim do túnel
Segundo Ariela, a vacina como uma “luz no fim do túnel”, porque além do medo do contágio, ela e o marido precisaram cancelar viagens para o Brasil. “Nós íamos, neste ano, passar um mês ou dois meses com a família, mas cancelamos. Toda semana a gente conversa. Minha filha nasceu e ninguém conheceu ela ainda. Todo mundo até chora no telefone”.

O pai da jovem comentou que durante a pandemia buscou tomar todos os cuidados de prevenção à Covid-19 e que em 2021 precisou voltar a trabalhar. Antônio é comerciante e disse que está ansioso para receber a vacina, por conta da idade e dos problemas na saúde.

“A gente fica com aquele medo de sair, de trabalhar. Sai com medo e volta com medo. Voltei a trabalhar por necessidade mesmo, fui obrigado a voltar porque não tem como a gente se manter”, explicou.

Fonte: Metrópoles