Henry tremia e vomitava ao ver Jairinho

12 de abril de 2021

Mais de uma semana após Monique ficar sabendo que o companheiro Jairinho agredia o filho Henry, a mulher procurou uma prima que é pediatra e revelou que, ao ver o padrasto, o garoto tremia e vomitava.

A conversa foi recuperada do celular da genitora da vítima pela Polícia Civil e consta no inquérito que investiga a morte de Henry.

Obtida com exclusividade pelo jornal Extra, o diálogo virtual revelou que seis dias após o episódio da agressão sofrida por Henry no dia 12 de fevereiro e relatada em tempo real pela babá Thayná de Oliveira Ferreira, Monique procurou a prima para pedir orientações sobre o comportamento de Henry.

Segundo Monique, ele tinha “medo excessivo de tudo” e vomitava e tremia quando via Jairinho.

A mãe completou, dizendo à médica identificada apenas como Renata, que deu início ao tratamento psiquiátrico do garoto.

“Iniciei com a psicóloga. Fizemos duas sessões, uma por semana. Você acha que preciso procurar um neuro, psiquiatra, fazer mais sessões por semana? Tem sido muito sofrido para todos nós”, escreveu.

A prima da acusada, então, respondeu : “Acho que agora no início poderia ser duas vezes por semana. Neuro e psiquiatra, não. Infelizmente isso é comum”, explicou na conversa.

Veja o diálogo completo:
Monique: Prima, boa tarde

Monique: “Henry está com medo excessivo de tudo, tem um medo intenso de perder os avós, está tendo um sofrimento significativo e prejuízos importantes nas relações sociais, influenciando no rendimento escolar e na dinâmica familiar. Disse até que queria que eu fosse pro céu pra morar com meus pais, em Bangu. Quando vê o Jairinho ele chegar a vomitar e tremer . Diz que está com sono, que quer dormir e não olha pra ele. Nunca dormiu sozinho, mas antes ficava no quarto esperando irmos ao banheiro ou levar um lanche, agora se recusa a ficar sozinho, não tem apetite, está sempre prostrado, olhando pra baixo, noites inquietas com muitos pesadelos e acordando o tempo inteiro. Chora o dia todo. Iniciei com a psicóloga.

Monique: Fizemos duas sessões, uma por semana. Você acha que preciso procurar um neuro, psiquiatra, fazer mais sessões por semana? Tem sido muito sofrido para todos nós”

Renata Pediatra: “Acho que agora no início poderia ser duas vezes por semana. Neuro e psiquiatra, não.”

Monique: Tá bom prima

Renata Pediatra: “Infelizmente isso é comum.”

Monique: Obrigada

Entenda o caso
Henry Borel Medeiros morreu no dia 8 de março, ao dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo o pai do garotinho, Leniel Borel, ele e o filho passaram, normalmente, o fim de semana juntos.

Por volta das 19h do dia 7, o engenheiro o levou de volta para a casa da mãe do menino, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida. Ela mora com o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 do dia 8, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Leniel afirma que viu os médicos tentando reanimar o pequeno Henry, sem sucesso. O garotinho morreu às 5h42, conforme registro policial registrado pelo pai da criança.

Segundo depoimentos prestados por Monique e Jairinho na 16ª DP, eles assistiam a uma série na televisão, quando, por volta das 3h30, encontraram Henry caído no chão, com mãos e pés gelados e olhos revirados. Ambos alegam acidente doméstico.

O laudo de exame de necropsia no corpo de Henry foi o principal ponto de partida para a investigação sobre a morte do menino de 4 anos. Assinado pelo perito Leonardo Huber Tauil do Instituto Médico-Legal (IML), o documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, revela que o garoto morreu por hemorragia interna, laceração hepática por ação contundente, como socos e pontapés.

Foram identificadas múltiplas lesões nos rins, pulmões, nas costas e na cabeça. Depois de ouvir 17 testemunhas, a Polícia Civil do Rio de Janeiro conta ainda com uma força-tarefa com peritos que ainda está debruçada em analisar 11 celulares e três computadores, apreendidos no último dia 26, de Monique, Jairinho e do pai de Henry, Leniel Borel. Investigadores tentam recuperar mensagens apagadas dos celulares do casal, que teriam sido apagadas na noite da morte da criança.

A mãe do menino, Monique Medeiros, foram presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã de quinta-feira (8/4). Para os investigadores da 16ª DP (Barra da Tijuca), a criança foi assassinada.

Fonte: Metrópoles