Na primeira noite do decreto de fechamento às 23h, bares do DF descumprem horários

02 de dezembro de 2020

Na primeira noite de vigência do novo decreto do Governo do Distrito Federal, o qual determinou o fechamento de bares e restaurantes no DF às 23h para evitar uma segunda onda de infecção por Covid-19, os estabelecimentos comerciais tiveram dificuldades para cumprir o prazo. Isso porque vários points estavam lotados para transmitir o jogo do Flamengo pela Libertadores da América.

Publicado em edição extra do Diário Oficial do DF, horas depois de o próprio governador Ibaneis Rocha (MDB) informar que poderia lançar mão de medidas mais duras para conter novos casos de coronavírus, o decreto saiu nesta terça-feira (1º/12), com a programação do campeonato já definida.

A ordem impunha o fim do “expediente” antes mesmo do fim do jogo do Flamengo, o que resultou em descumprimento por parte dos empresários do setor. Segundo apurado pela reportagem do Metrópoles, alguns bares permaneceram abertos depois do horário limite.

Os bares universitários das 408 e 410 Asa Norte, por exemplo, continuaram com música alta e transmitindo jogos de futebol em telões. Foi o caso do Pôr do Sol, Toca do Coelho, Campinense e Mendes. Alguns poucos estabelecimentos recolheram as mesas antes das 23h para desestimular a entrada de novos clientes, como Pinella, Godofredo e Bogodó. Mas ninguém foi expulso no horário determinado pelo governo local.

Às 23h15, o bar Simpsons, da 203 Norte, estava fechado. Mas o estabelecimento vizinho seguia de portas abertas. “A Covid-19 não tem hora para pegar, até às 23h não pode pegar mais? Não faz sentido o decreto”, reclamou o cliente do Dikanto Bar, na 408 Norte, Ronaldo de Melo. O também freguês Ricardo Melo completou: ” Na Libertadores, não tem Covid”.

De acordo com o governador, os bares e restaurantes foram os primeiros a entrar na mira do governo porque é “onde temos visto uma aglomeração muito grande”.

“Recebi os relatórios da Secretaria de Saúde que apontam aumento no nosso indicador de contágio do novo Coronavírus. O índice, que vinha se mantendo na casa de 1, evoluiu para 1,3. Antes que a situação se agrave, resolvi dar esse recado para a população, retomando algumas medidas restritivas. A qualquer sinal de piora da pandemia aqui no DF, vamos rever as medidas e tomar providências ainda mais duras, se for o caso”, disse Ibaneis, à coluna Grande Angular, do Metrópoles.

Críticas
Pouco depois de o decreto ser publicado, o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, reuniu-se com representantes do setor produtivo, que desaprovaram a medida restritiva.

“As pessoas não aguentam mais ficar em casa. Então, temos que ir para rua com consciência”, disse o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, que pediu a revogação do decreto a Okumoto, lembrando que o setor “já está combalido”.

Segundo Jael, 3 mil empresas foram fechadas e 25 mil pessoas demitidas pelo setor durante a pandemia. O sindicalista frisou que o protocolo de segurança é rigorosamente seguido por “99,9% dos bares e restaurantes”. “Temos alguns que estão extrapolando. Esses têm que ser penalizados, mas não pode o segmento todo pagar por poucos”, assinalou.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães ratifica a opinião de que o segmento de bares e restaurantes não pode ser culpado pelo crescimento da taxa de transmissão da Covid-19 na capital federal. Ele sugeriu a revisão de feriados prolongados: “As pessoas emendam, acabam viajando e confraternizando mais. O segmento de bares, hotéis e restaurantes não pode ser eternamente culpado por esse aumento da Covid”.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia, disponibilizou-se para ajudar o governo a adotar medidas de conscientização e combate à Covid-19, mas considerou inaceitável a ideia de fechar o comércio neste período próximo ao Natal. “Não queremos abandonar esse barco, porque somos responsáveis pela economia do Distrito Federal. O que for possível fazer, nós vamos fazer”, garantiu.

Fonte: Metrópoles