Pediatra dá dicas para encarar férias escolares no isolamento social

18 de dezembro de 2020

As crianças estão entrando de férias, mas os pais não necessariamente. Em um ano que impôs tantos desafios como 2020, programar o tempo de lazer dos pequenos é essencial. Foi o que explicou ao programa CB.Saúde — parceria do Correio com a TV Brasília — desta quinta-feira (17/12) a médica Andrea Jácomo, coordenadora do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (DF).

“Esse é o nosso grande desafio. Meu filho sabe que eu sou professora, eu estou de férias de uma das minhas atividades, mas ele fala ‘do consultório você não está, mamãe’. Então a gente tem que equilibrar, estar presente na hora de estar presente e estruturar atividades que as crianças possam fazer sozinhas e isso também vai variar com a idade”, coloca.

A médica recomenda que os pais procurem referências de brincadeiras que podem ser feitas pelas crianças de maneira autônoma em sites como o da Sociedade Brasileira de Pediatria, que disponibiliza livros com a indicação de brincadeiras para cada faixa etária. “Mas a gente também pode proporcionar tempo de leitura, tempo para ver um filme, ter essa criatividade e essa paciência com a criança”, recomenda.

Brincadeiras analógicas
E, como a superexposição às telas segue sendo uma preocupação, Jácomo lembra que é possível promover antigos hábitos como pular corda, brincar de bambolê, ou jogos off-line, para garantir entretenimento longe dos aparelhos eletrônicos.

“Noite do pijama, ‘acampadentro’, piquenique na sala, piquenique no jardim, na varanda. Nós pais somos os grandes concorrentes das telas, a nossa presença substitui tranquilamente as telas. Nós temos que estar presentes na vida das crianças”, afirma.

Ela sugere que os pais se atentem à idade de cada filho, lembrando que para crianças menores de 3 anos, a supervisão de um adulto vai sempre ser importante a fim de evitar acidentes domésticos.

“De acordo com cada idade, vamos ter as brincadeiras que podem ser utilizadas. Ah, mas eu não tenho como comprar o brinquedo, está caro, a gente tem condições de fazer brincadeiras criativas com as nossas crianças, de desenho, de massinha, de chamar a criança para preparar a comida, fazer um bolo. Depende de cada faixa etária, mas eu sugiro aos pais que estruturem algumas atividades em casa”, reforça.

É possível sair de casa?
Sobre os passeios com a família, a médica pondera: “Esse é um conceito que foi mudando ao longo dos estudos e da pandemia”. Segundo Jácomo, é preciso ponderar as condições de cada local e a saúde mental e bem estar de toda a família. “Shopping, cinemas, locais fechados (em geral), parquinhos que estejam lotados”, não são as melhores opções, coloca.

“O que a gente foi aprendendo ao longo da pandemia, é que o vírus não gosta de espaços abertos, ventilados, com sol. Mas, para a gente frequentar esses espaços, a gente vai ter que seguir as regras de ouro: usar máscara, evitar aglomeração, manter distância, reforçar a higiene das mãos das crianças — com álcool gel, com lenço umedecido, lavando a mão quando possível — ensinando à criança aquela regrinha de distanciamento de um metro e meio, dois metros”, ressalta.

Além disso, a pediatra define que ensinar às crianças como se proteger é fundamental para dar uma volta com segurança. “Abre o bracinho, não encostou em ninguém, isso é um local seguro. É claro, quando a criança é pequenininha, muito menor que dois anos, não se usa máscara, pelo risco de sufocamento, mas acima de dois anos, se a gente faz o treinamento, a gente ajusta essa máscara adequadamente, a criança consegue muito mais rapidamente se adaptar”, orienta.

Para ela, os brasilienses têm uma vantagem em relação à população de outras capitais. “Tudo bem fazer um passeio no Parque da Cidade, mas se o Parque da Cidade estiver lotado, se a gente não estiver conseguindo manter esse distanciamento, aqui em Brasília nós somos privilegiados, então (tem o) Eixão do Lazer, o próprio Jardim Botânico, e tantas áreas verdes que nós temos para utilizar aqui”, exemplifica.

Fonte: Correio Braziliense