Vitória de Anitta no VMA pode abrir portas para cantoras brasileiras

30 de agosto de 2022

“Eu realmente não esperava por isso, acho que vou chorar.” Foi assim que Anitta começou o discurso que fez durante a cerimônia do Video Music Awards 2022, na qual ela conquistou o prêmio de Melhor Clipe de Música Latina com Envolver. O hit alcançou o posto de música mais tocada do mundo no Spotify em março e mostrou que o pop brasileiro pode conquistar espaços em todos os cantos do planeta.A surpresa dela vai muito além de uma falsa modéstia e aparece no lugar de fala de uma artista que começou a carreira na periferia do Brasil e trabalhou, muito, para construir o sucesso que tem hoje. “Nasci e cresci numa favela do Brasil e, para aqueles que nasceram lá, nós nunca imaginaríamos que isso seria possível”, ressaltou a cantora na declaração de agradecimento ao troféu.Nascida e criada em Honório Gurgel, Larissa de Macedo Machado começou a carreira de Anitta com gravações e shows na Furacão 2000. Embora não seja tão conhecida hoje, a produtora deu o primeiro espaço para nomes importantes do funk nacional e foi a primeira a gravar a mulher que levaria a música brasileira ao palco do Prudential Center, em Newark, Nova Jersey.Isso porque não foi apenas a mistura de música urbana e pop de Envolver que ela apresentou por lá. A artista fez o que chamou de “momento brasileiro” e rebolou a bunda ao som de hits de funk que fariam qualquer amante do ritmo se mexer. “Vocês acharam que eu não ia rebolar minha bunda hoje?”, questionou a empresária em inglês antes de dançar ao som da mistura de trechos que incluiu Movimento da Sanfoninha, Bola Rebola e Vai Malandra.Antes de deixar o palco, Anitta ainda reforçou que ela sabe dar os passos certos para chegar ao topo. Para finalizar, a artista citou uma frase de um dos seus mais recentes lançamentos, a música Lobby, parceria com Missy Elliott divulgada no último dia 18: “Kiss me from the roof to the lobby”.Mas por que o papel dela é tão importante?Foi o talento, esforço, trabalho e dedicação de Anitta que mudou a percepção preconceituosa que existia, não apenas no cenário artístico, mas também social. Afinal, a cantora decidiu mostrar que o funk – ritmo por vezes renegado e excessivamente criticado – pode chegar a um dos maiores eventos musicais do mundo.A vitória dela também abre espaço para que outras artistas nacionais, que estão no auge do sucesso, queiram, e possam, se aventurar. Na lista de potenciais encontramos nomes como Pabllo Vittar e Ludmilla.No primeiro semestre do ano, Pabllo passou em turnê pelos Estados Unidos e esgotou ingressos na estreia em Los Angeles. Além disso, ela mostrou que a carreira internacional está agitada e foi também uma das atrações de um dos principais festivais de música do mundo, o Coachella.Com poucos anos a mais de carreira, Ludmilla mudou de assinatura, amadureceu posicionamentos e arrastou públicos dentro e fora do Brasil com hits de funk. Agora a artista passa por uma nova fase e aposta na mistura de ritmos que apresenta também o pop e o pagode.As cantoras trazem mais do que sucesso na carreira, mas têm papéis importantes quando o assunto é representatividade. Enquanto Pabllo é uma drag queen, Ludmilla é uma mulher negra e bissexual. Além disso, as duas vieram de origens pobres, assim como Anitta, e conquistaram espaço com músicas inspiradas em vivências de favela.A vencedora do VMA também aparece como peça fundamental de visibilidade para outros artistas brasileiros. Isso porque o público dela fora do país também vai consumir artistas que ela convive, gosta e, principalmente, divide canções. Anitta trouxe um novo olhar para a música produzida nas terras tupiniquins, e reforçou a ideia de que as letras que sofrem preconceito e chegaram a ser consideradas crimes podem, na verdade, ser o caminho para o sucesso.Quer ficar por dentro do mundo dos famosos e receber as notícias direto no seu Telegram? Entre no canal do Metrópoles e siga a editoria no Instagram.Fonte: Metrópoles