Índice de evasão escolar atinge cada vez mais pessoa com deficiência

07 de setembro de 2022

As matrículas de pessoas com deficiência em escolas públicas no Brasil têm crescido nos últimos anos, mas grande parte desses estudantes acaba deixando o ensino regular, um indicativo de que a inclusão ainda é um desafio. Essa é uma das informações reveladas pelo estudo elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Unesco, intitulado “Inclusão, equidade e desigualdades entre estudantes do ensino fundamental de escolas públicas no Brasil”.De acordo com o estudo, 1,9% das matrículas no ensino fundamental em 2013 eram de pessoas com deficiência. Em 2017, o número subiu para 2,9%. Os pesquisadores apontam que o aumento é positivo para superação da exclusão escolar, mas que ainda há “precariedade no que diz respeito à acessibilidade dos prédios escolares e ao recebimento do Auxiliar de Apoio ao Educando (AAE)”.Evasão escolar
Um dos indicativos dessa precariedade é a diferença entre as matrículas de pessoas com deficiência nos anos iniciais e nos anos finais do ensino fundamental. A diferença era de -43,4% em 2013; ou seja, quase metade dos alunos deixaram de ir à escola antes do fim do ensino fundamental. Essa diferença diminuiu em 2017, chegando a -34,9%, mas ainda preocupa por representar um alto índice de evasão escolar.PUBLICIDADEForam considerados os estudantes com deficiência visual, auditiva, física, mental, múltiplas e TGDs. Altas habilidades/superdotação não entraram na categoria.Educação pública
O estudo é o quarto de uma série iniciada em 2012 com financiamento do Ministério da Educação. Ele foi realizado pelo Núcleo de Pesquisas em Desigualdades Escolares (Nupede), vinculado à Faculdade de Educação da UFMG. Os dados utilizados são do Censo Escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), ambos do Inep.A pesquisa abordou dados não só sobre a condição de deficiência, mas estatísticas de matrículas por sexo, cor/raça e nível socioeconômico, e suas diferenças regionais.”Os resultados que estamos divulgando devem apoiar a discussão sobre as condicionalidades previstas na lei do novo Fundeb [Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica], que ainda não foram regulamentadas, e somar-se ao conhecimento acumulado por outras pesquisas brasileiras com vistas a contribuir para aumentar e aprimorar os mecanismos de justiça em educação”, comentou Maria Teresa Alves, coordenadora do estudo.Fonte: Correio Braziliense