Mulher sobrevive a 12 tumores e se torna esperança na luta contra câncer

28 de novembro de 2022

Uma mutação genética rara fez com que uma mulher enfrentasse 12 tumores diferentes desde bebê até os 28 anos de idade, dos quais 5 foram diagnosticados como malignos. Após sobreviver a essa brutal condição, agora a paciente, cuja identidade é mantida em sigilo, poderá representar um importante papel para o estabelecimento de melhores diagnósticos e tratamentos contra o câncer. A pesquisa publicada na revista Science Advances sugere que a mesma alteração genética que provoca a doença pode ser responsável por sua sobrevivência.Segundo cientistas espanhóis do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO), em Madrid, a mulher desenvolveu o primeiro tumor ainda bebê, e cada incidência foi diferente e em uma parte diversa do corpo, incluindo manchas na pele, microcefalia e outras alterações. A alteração genética foi detectada em um gene chamado MAD1L1, fundamental no processo de divisão e proliferação celular. Em animais, a detecção de alterações em ambas as cópias do gene costuma morrer, mas a mulher sobreviveu, em relato único em toda literatura médica conhecida.De acordo com os cientistas, intrigou o fato de os cinco casos mais agressivos de câncer terem desaparecido com relativa facilidade: a hipótese levantada pelo estudo é que a produção constante de células acabou por gerar uma defesa igualmente crônica. “Achamos que aumentar a resposta imune de outros pacientes os ajudaria a interromper o desenvolvimento tumoral”, afirmou Marcos Malumbres, chefe da Divisão Celular e do Grupo de Câncer doA importância do estudo se dá pela hipótese inédita de que o sistema imunológico seja capaz de desencadear uma defesa contra células com número errado de cromossomos, já que 70% dos tumores apresentam tal característica. “Academicamente, não se pode falar de uma síndrome nova porque é a descrição de um único caso, mas, biologicamente, é única”, afirmou Miguel Urioste, um dos autores do estudo, destacando que o caso é diferente “pela agressividade, pela porcentagem de aberrações que produz e pela extrema suscetibilidade a um grande número de tumores diferentes”. A mulher segue sem novos tumores desde 2014.Fonte: Hypeness