Brasileiros criam tratamento que aquece e mata células de câncer ósseo

23 de janeiro de 2023

Cientistas brasileiros da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), desenvolveram um material para ajudar na recuperação de pacientes com câncer ósseo. Hoje o Brasil registra quase 2,7 mil casos desse tipo de câncer por ano, ou seja, 2% dos diagnósticos oncológicos, segundo a Sociedade Brasileira de Canceorologia (SBC).O novo tratamento é baseado em uma técnica chamada Hipertermia térmica, um tipo de terapia que aquece as células cancerígenas há uma temperatura aproximada de 43°C. Esse aquecimento destrói as proteínas do câncer e recupera a saúde óssea.“Nesse caso, o controle de temperatura é extremamente importante, uma vez que impede o superaquecimento local e, consequentemente, a destruição dos tecidos saudáveis adjacentes à área de tratamento”, disse Geovana Santana, autora do estudo.Tratamento menos agressivoO tratamento utilizado hoje é baseado na remoção cirúrgica do tumor e logo após, são aplicadas terapias como quimioterapia e radioterapia.Entretanto elas acabam não sendo boas para o paciente porque destroem o tumor maligno e também células saudáveis.Com o novo material, os tratamentos são mais práticos e bem menos invasivos. A terapia utiliza uma matriz de vidro bioativo com partículas magnéticas.A matriz vítrea, quando entra em contato com fluidos biológicos, tem a capacidade de regenerar o tecido ósseo, formando uma camada de hidroxicarbonato apatita.O hidroxicarbonato apatita é um mineral presente naturalmente no osso humano – e que é cristalizado entre o vidro e o tecido ósseo, permitindo a fixação do compósito ao osso.Geovana explicou que as partículas ao serem submetidas a um campo magnético externo são responsáveis pela produção de calor e viabilizam o controle da temperatura máxima alcançada.Doença silenciosaO câncer ósseo é uma doença silenciosa e muitas vezes é diagnosticado em estágio avançado, o que dificulta os tratamentos.“O tumor inicia no próprio osso, músculo e articulação”, explica o médico ortopedista oncológico, Valter Penna.Ele ainda conta que o tumor pode ser resultado de metástase – que são tumores ósseos mais comuns – e que são provenientes de um câncer de outro órgão como mama, próstata e pulmão.De acordo com Valter, trata-se de uma doença genética e, por não possuir prevenção, seu diagnóstico precoce e correto se torna de extrema importância.Próximos passosApós os primeiros testes, os cientistas já se preparam para as próximas fases do estudo. Agora, os pesquisadores pretendem avaliar a toxidade do material, em culturas celulares e otimizar o processo de geração de calor dos compósitos e assim estabilizar a temperatura.Com os testes finais apresentando o mesmo resultado positivo, os cientistas vão se preparar para criar a terapia final, que será disponibiliza aos profissionais de saúde da área.Com informações sobre Diário da SaúdeFonte: Só notícia boa