
Uma aluna com deficiência visual total que estuda no Centro Interescolar de Línguas (CIL) 02 da Asa Norte, ganhou notoriedade essa semana por realizar uma redação de cinco páginas totalmente em inglês em Braille. A atividade destaca a inclusão de alunos com deficiência em um programa gratuito de línguas estrangeiras.
Maria Eduarda Caetano Albernaz, de 21 anos, estuda no CIL há 1 ano e está no 3º semestre. Ao Metrópoles, ela contou que sonha com a fluência em inglês desde a infância e viu nas atividades do CIL um ambiente acolhedor e técnico, com professores que se esforçam para apresentar materiais adequados que atendam com perfeição à necessidade dela.
Além disso, Maria diz que se sente satisfeita com a sua trajetória no CIL e que pretende aprender outras línguas, pois em sua cidade natal, em Paracatu, Minas Gerais, ela não teve muitas oportunidades de estudar inglês pois as escolas não eram preparadas para cuidar de alunos com deficiências, segundo ela.
“Eu amo estudar no CIL, porque lá eu não sou só uma aluna, eu sou uma aluna com deficiência que consegue ter o mesmo aprendizado dos meus colegas sem deficiência”.
A aluna diz que os docentes a ensinam a escrever e a falar em inglês através de métodos como impressões em Braille e soletração.
Uma das professoras que acompanha Maria é a Danielle Lemos, de 45 anos. Ela conta que trabalha há 20 anos na unidade e que considera Maria uma “estudante fora da curva”.
Além disso, ela diz que as aulas da jovem são feitas na mesma sala com os demais colegas sem deficiência, e que o material didático é o mesmo, transcrito para o Braille através de uma impressora específica. De acordo com a docente, toda a dinâmica do método de ensino é refeito para que a aluna consiga se lembrar e entender o conteúdo.
A professora explicou que ao longo do semestre letivo os alunos precisam compor duas redações na língua ensinada, e que Maria realizou sua atividade usando um instrumento chamado reglete, que permite que ela escreva em Braille. “É um instrumento já menos utilizado por ser mais rudimentar, onde se escreve de forma espelhada, bem mais difícil que na máquina Braille”.
Ela ainda destaca o esforço da jovem que conseguiu escrever 5 páginas com o método mais difícil, enquanto que os alunos videntes em sua maioria escreve 1 página.
“Ela gosta de escrever! O Braille acaba saindo em mais laudas que a escrita em tinta, mas mesmo assim ela poderia ter escrito menos! O importante é o gosto dela em escrever e nunca fazer apenas o mínimo. A redação é obrigatória em todos os bimestres de cada semestre letivo, mas o estilo que ela usou sim foi por puro esmero dela”, comentou a professora.
Danielle conta que, como professora, se sente honrada de poder dar a chance de estudantes com algum tipo de deficiência de aprenderem uma língua diferente de forma inclusiva.
“Eu me considero uma pessoa de muita sorte por ensinar e ser ensinada pelos alunos deficientes. Eu mostro para eles que existem pessoas que estão com eles e para eles”.
Maria Eduarda também é estudante de direito na Universidade de Brasília (UnB), e pretende aprender também outras línguas estrangeiras.
“Sou muito realizada”.
FONTE: METRÓPOLES





