Um grupo responsável por invasões a sistemas governamentais foi alvo de uma operação da Polícia do Distrito Federal (PCDF), na manhã desta quinta-feira (29/1). Estão sendo cumpridos 14 mandados, sendo seis de prisão preventiva e oito de busca e apreensão, em endereços utilizados pela quadrilha.
No DF, as diligências estão ocorrendo simultaneamente nas regiões administrativas do Areal, Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia. Os mandados também estão sendo cumpridos nos municípios de Aragarças (GO) e Barra do Garças (MT).
De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava com elevado grau de ousadia contra instituições bancárias e servidores públicos. Os levantamentos realizados apontaram que o grupo operava de forma itinerante, alugando imóveis por temporada, para montar “escritórios do crime” temporários.
Nesses locais, segundo as diligências, eram instalados equipamentos de informática e impressão para a execução das fraudes, estratégia adotada para evitar fixar residência e dificultar as medidas de localização policial.
Os líderes da organização encaravam o crime como uma profissão, chegando a justificar a rotina de delitos como um “trabalho diário” necessário para sustentar o estilo de vida.
Recrutamento de “atores”
As investigações também constataram a utilização de softwares de automação para a varredura de dados, além da realização de uma “triagem qualificada” das vítimas, em que o sistema selecionava especificamente servidores públicos com margem consignável elevada, alto score de crédito e ausência de dívidas, classificando-os como cidadãos de “renda boa” e aptos para a aplicação dos golpes.
Para conseguir abrir as contas digitais, os criminosos recrutavam pessoas em situação de vulnerabilidade, chamadas internamente de “atores” ou, jocosamente, de “mendigos”.
Eles eram utilizados para burlar os sistemas de reconhecimento facial (biometria) das instituições financeiras, realizando a “prova de vida” exigida pelos aplicativos.
Simultaneamente, de acordo com a PCDF, o núcleo de falsificação editava e imprimia documentos físicos (RGs e CNHs) de alta qualidade, inserindo as fotos dos “atores” junto aos dados das vítimas reais, para garantir a aprovação nas validações bancárias.
Após a abertura da conta, o grupo solicitava um cartão de crédito e iniciava a movimentação de pequenos valores, estratégia voltada a simular uma rotina financeira legítima, com o objetivo de conseguir a liberação posterior de limites de crédito mais elevados.
Sou.Gov
Em continuidade, a organização promovia a supressão da autenticação de dois fatores da plataforma “Sou.Gov”, violando a segurança de contas de servidores públicos para elevar o nível de acesso dessas contas às categorias “prata” ou “ouro” e, assim, contratar empréstimos fraudulentos.
Segundo a PCDF, o prejuízo financeiro das atividades do grupo, em dois casos apurados com vítimas no Distrito Federal, ficou em cerca de R$ 364 mil, em duas instituições financeiras diferentes.
Para garantir o ressarcimento dos prejuízos causados e descapitalizar a estrutura da quadrilha, foi determinado o bloqueio judicial de valores nas contas vinculadas aos suspeitos.
Os alvos da operação devem responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato eletrônico.
A operação, batizada de Duplo Fator, ocorre por meio da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), com o apoio da Divisão de Operações Policiais (DOE/PCDF) e das polícias civis de Goiás e Mato Grosso.





