
O que começou como mais um passeio de rotina terminou em tragédia para Gabriel, 24 anos, no último sábado (9/5), na QE 42, Guará II. Bidu, o vira-lata de 11 anos que acompanhava o jovem há mais de uma década, morreu após ser brutalmente atacado por um cachorro da raça American Bully. O cão de grande porte escapou de uma casa com o portão aberto.
Assista:
A câmera de segurança de uma residência da região filmou o momento do ataque. A agressão dura menos de um minuto. Nas imagens é possível ver Gabriel tentando separar os dois cachorros. Em seguida, os tutores do outro cão aparecem em cena e tiram o American Bully do local.
Segundo o analista de TI, o passeio com Bidu fazia parte da rotina diária dos dois. “Todo dia eu fazia isso e, inclusive, era ele quem vinha me chamar no meu quarto para fazer essa caminhada”, contou.
Ao passar em frente a uma casa da rua em que mora, ele percebeu que o portão estava aberto e notou o American Bully dentro do imóvel. Gabriel afirmou que nunca havia visto o animal antes, apesar de passar pelo local diariamente.
“Na hora eu pensei: ‘Não é possível que essa casa esteja com um cachorro desse porte e o portão aberto e ele não esteja preso’. Achei que ele estivesse contido”, relatou.
Ainda de acordo com o tutor, o cachorro já observava Bidu fixamente antes do ataque.Poucos segundos depois, o American Bully correu em direção ao cão idoso e o mordeu na região do pescoço.
“Foi coisa de seis segundos. Ele veio com toda a velocidade na jugular do Bidu. Eu tentei fazer de tudo para soltar, peguei pelo pescoço, levantei, mas ele só soltou porque quis”, disse.
Após o ataque, Bidu caiu no chão gravemente ferido. Gabriel descreve a cena como traumática e afirma que tem sofrido crises de ansiedade desde então.
“Tinha muito sangue no chão. A imagem dele com a mandíbula deslocada, olhando para mim com muita dor, corta meu coração. Ele sofreu muito antes de morrer. Não foi uma morte rápida, foi extremamente brutal”, lamentou.
Uma das tutoras do American Bully levou Gabriel e o cachorro dele até uma clínica veterinária. Na clínica, o veterinário tentou reanimar Bidu com intubação e massagem cardíaca, mas o cão não resistiu aos ferimentos.
“Ele perdeu muito sangue. Pegou uma artéria muito importante”, explicou o analista de TI.
O tutor afirma que Bidu estava há 11 anos com a família e que a perda deixou todos em estado de luto. “Metade da minha vida ele estava comigo. Foi brutalmente assassinado na minha frente”, desabafa.
Gabriel registrou boletim de ocorrência naPolícia Civil do DF e cobra responsabilização pelo ataque. Segundo ele, moradores da rua relataram que o portão da residência voltou a permanecer aberto ainda no mesmo dia da tragédia.
“Muita gente ficou assustada. Hoje foi o Bidu, mas e amanhã? Pode ser uma criança, um idoso”, afirmou.
Apesar de reconhecer o suporte financeiro dado pelos moradores da casa, que custearam atendimento veterinário e cremação do animal, o analista de TI afirma que o trauma emocional é irreparável.
“O principal objetivo de eu ter registrado ocorrência é conscientizar. Cachorros desse porte precisam ser adestrados e mantidos em segurança. Não podem ficar soltos de forma negligente”, concluiu.
Responsabilização
Segundo a advogada Priscilla Sales Barbosa, que representa a família, medidas legais já foram tomadas para apurar as responsabilidades pelo ataque.
“Infelizmente o Bidu não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. Diante da gravidade dos fatos, já foram adotadas as medidas cabíveis, incluindo registro de boletim de ocorrência e demais providências necessárias para apuração das responsabilidades cíveis e legais decorrentes do caso”, declarou.
Segundo Priscilla, a família espera que haja justiça diante do sofrimento causado pela morte do animal.
“A família busca justiça e responsabilização pelos danos causados, especialmente diante do sofrimento emocional provocado pela perda traumática do animal e nosso escritório está prestando todo o auxílio necessário para isso”, completou.
FONTE: METRÓPOLES





