Contato com as árvores ajuda no desenvolvimento cognitivo dos jovens, diz estudo

14 de setembro de 2021

Abraçar as árvores pode ser mais do que uma forma de entrar em contato com a natureza e agradecer por tudo que elas nos oferecem: pode ser também um sinal de inteligência. Um novo estudo publicado na revista Nature Sustainability sugere que crianças e jovens entre 9 e 15 anos que passam um tempo significativo entre árvores apresentam desenvolvimento e performance cognitiva superior àqueles que não costumam visitar florestas, matas e campos em geral: as árvores especificamente podem ser fator determinante para o crescimento intelectual das crianças durante tais anos fundamentais.Pois o estudo, que acompanhou 3.568 estudantes de 31 diferentes escolas em Londres, na Inglaterra, não alcançou o mesmo resultado positivo entre jovens que frequentam locais com gramados ou lagos somente: o diferencial, de acordo com a pesquisa, está nas árvores. Intitulado “Os benefícios de uma região arborizada e outros ambientes naturais para a cognição e a saúde mental de adolescentes”, em tradução livre, o trabalho sugere benefícios também emocionais sobre o bem-estar dos jovens como elemento determinante para o desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo.“Nós mostramos que, depois de ajustar outras variáveis, exposições diárias maiores a bosques e áreas arborizadas, mas não a áreas de pastagem, estão associadas com índices maiores de desenvolvimento cognitivo e risco menor de problemas emocionais e de comportamento entre adolescentes”, diz a apresentação do estudo. “Nossos resultados sugerem que decisões sobre o planejamento urbano, a fim de otimizar os benefícios oferecidos por ecossistemas ao desenvolvimento cognitivo e à saúde mental, devem cuidadosamente considerar incluir ambientes naturais”, afirma o texto.Apesar de apontar para os benefícios emocionais como elemento importante para tal impacto positivo das árvores sobre o desenvolvimento intelectual, o estudo não apresenta explicações concretas e diretas a fim de explicar o resultado. Há, no entanto, outro elemento indireto que pode ajudar a explicar a conclusão: o contato com árvores costuma ser bastante mais frequente entre as fatias sociais com mais dinheiro, um fator que quase sempre impacta também em diversos outros pontos de desenvolvimento desde a primeira infância e até a fase adulta – da alimentação à escola onde cada criança estuda. Pode haver, portanto, para além das árvores, o privilégio como elemento determinante para explicar o resultado do estudo.Fonte: Hypeness