O pai de santo acusado de desrespeitar uma igreja católica em Sobradinho negou qualquer “invasão” ou “trabalho” contra o templo religioso ou frequentadores do local. Pai Rannilson de Ogum se manifestou depois que um rito comum da casa dele do candomblé se transformar em polêmica, na semana passada.Um áudio que viralizou no WhatsApp afirma se tratar de um “trabalho de macumba”, mas o pai de santo explicou o ocorrido e criticou a forma como foi tratado o caso.“Fiéis batem à nossa porta e são atendidos. Católicos, evangélicos, gente de todos os credos”, disse Rannilson.O caso ocorreu na Paróquia Imaculada Conceição. Um padre da igreja que não estava no momento do rito gravou um vídeo em que se disse “perplexo” e “indignado”. “Já não se respeita mais a crença das outras religiões”, criticou.Assista à entrevista com Pai Rannilson de Ogum:O pai de santo explicou o rito, que se tratava de um pedido de bênção para a iniciação de seguidores da religião de matriz africana. “A gente, geralmente, vai para assistir às missas. Mas, quando chegamos lá, a missa havia terminado. No carro, esperei todo mundo sair. A gente não ia constranger alguém, criar algo. Estávamos em quatro pessoas e fomos pedir a bênção”, comentou Rannilson.O religioso acrescentou que, depois de entrar na igreja, cumprimentou quem ainda estava no templo e deu início ao rito. “Então, apareceu a ministra da eucaristia, que começou a falar algumas coisas. Ela veio dizendo assim: ‘Vocês não podem estar aqui, porque aqui é um lugar de cristão’. Eu disse que somos cristãos, tanto quanto qualquer outro”, completou o pai de santo.Outro padre que estava na igreja durante a ação também se aproximou para entender o ocorrido. “Quando ele [o padre] chegou, expliquei que só trouxe minha yaô [filha de santo] para tomar a bênção. Ele disse: ‘Que Deus te abençoe e que vão em paz’”, detalhou Rannilson.O pai de santo acrescentou que costuma frequentar a igreja católica e que continuará a promover o rito de iniciação e de bênção. “Não é com isso que vou parar de ir. Faz parte da nossa tradição, da nossa raiz, da nossa casa. Ainda quero pedir ao padre para fazer uma missa que a gente assista. Se ele quiser, tocamos um candomblé para ele e [para] todo o pessoal dele conhecer como é a casa de santo”, completou.Carta
Depois da divulgação do vídeo que mostra o grupo de candomblé na igreja católica, a Rede Afro-Brasileira Sociocultural e a Federação de Umbanda e Candomblé do Distrito Federal encaminharam uma carta ao arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa.Líderes religiosos de matriz africana sobre vídeo em igreja: “Falha no diálogo”No documento, os líderes religiosos explicam que o ato se trata de uma tradição, assumiram que “não procederam o devido diálogo com o padre responsável, gerando uma situação de constrangimento para com os fiéis” e se colocaram à disposição para pautas de convivência harmônica.Quer ficar ligado em tudo o que rola no quadradinho? Siga o perfil do Metrópoles DF no InstagramReceba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente.Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre o Distrito Federal por meio do WhatsApp do Metrópoles DF: (61) 9119-8884.Fonte: Metrópoles