Acusados de falsificar assinaturas em documentos de prestação de contas, a diretora e o vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 120 de Samambaia (DF) retomaram seus cargos na escola nessa segunda-feira (2/2) – mesmo com as investigações em fase de apuração.
A dupla foi denunciada ao Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) e afastada por 60 dias, a partir de 3 de outubro de 2025.
Entenda o caso:
- Professores do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 120, de Samambaia, denunciaram à Secretaria de Educação do DF que tiveram suas assinaturas falsificadas em atas de prestação de contas dos gastos empenhados na escola.
- De acordo com um servidor, que preferiu não se identificar, os valores recebidos pelo colégio não eram usados para investimentos no bem-estar e na melhoria do espaço de ensino. Para camuflar tal fato, as firmas teriam sido falsificadas.
- O colégio promoveu reuniões que, de acordo com a denúncia apurada pelo MPDFT e pela Corregedoria da pasta, nunca existiram. A intenção dos encontros fakes seria dar um ar de legalidade ao processo viciado.
- Os professores ainda alegam que estavam de férias na época em que a suposta reunião foi feita, no dia 10 de janeiro de 2024.
- Ao descobrir que seus nomes eram usados indevidamente em documentos públicos, funcionários da escola levaram o caso à Polícia Civil do DF (PCDF) e ao MPDFT.
O Metrópoles entrou em contato com alguns dos funcionários que tiveram suas rubricas fraudadas no documento em questão. Na época, eles confirmaram que não estiveram presentes na suposta reunião que deu aval à prestação de contas da diretoria da unidade de ensino.
“Minha assinatura foi falsificada. Não estive em reunião nenhuma”, disse. Os mesmos gestores afastados também foram denunciados por desviarem uma verba de R$ 5 mil de um projeto social da escola.
Veja:
Retorno à escola
Por causa das acusações e da investigação iniciada, os gestores foram afastados pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), um dos órgãos que apura o caso das assinaturas falsificadas junto com o MPDFT. O período de afastamento era de 60 dias mas com um adendo: até o fim das investigações.
Como o retorno foi autorizado pela Regional de Ensino de Samambaia e pela SEDF, mesmo com a investigação em andamento, os funcionários relataram ao Metrópoles medo de retaliações e perseguições e demonstram grande insegurança com a decisão.
“Permanecer na escola com a volta da gestão que nós denunciamos porque soubemos de tais irregularidades é no mínimo cruel”, reclamou uma funcionária que não quis ter o nome divulgado.
A mesma funcionária disse que o sentimento que fica é de impunidade, e descreveu a situação como “um verdadeiro descaso com dinheiro público”.
Para ela, o certo seria manter os gestores acusados afastados até a conclusão das investigações, mesmo passados os 60 dias.
A trabalhadora também teve a sua assinatura falsificada e conta que não estava presente na escola quando a suposta “reunião” aconteceu. Ela só tomou conhecimento quando o fato foi noticiado.
Uma outra servidora que também preferiu o anonimato contou que o cargo que os gestores ocupam é comissionário e eletivo, e, por isso, exige maior atenção das autoridades, pois pode prejudicar a integridade de quem realizou as denúncias.
“Eles usaram o fato de que não foram condenados para retornarem, só que também não foram inocentados e existem provas contra eles”, conta a servidora.
Ela ainda diz que a SEDF deveria realocá-los em outra unidade educacional, pois no CEF 120 não tem mais “condições”, e que o retorno pode prejudicar o clima da escola e o atendimento aos alunos.
“A gente quer que eles retornem as atividades e aguardem a conclusão do processo. Só não achamos certo que seja lá porque a situação é muito delicada para quem foi prejudicado e denunciou”, finaliza.
O que dizem os órgãos
O MPDFT respondeu ao Metrópoles que continua apurando o caso. Já a SEDF também reforçou que o processo está em fase de apuração e corre em sigilo.
Sobre o retorno dos gestores, a justificativa dada foi de que o prazo de afastamento se encerrou e, portanto, “os servidores retornam ao exercício de suas funções”.
A reportagem entrou em contato com a Regional de Ensino de Samambaia, mas não obteve resposta, o espaço segue em aberto.
FONTE: METRÓPOLES










